sexta-feira, 11 de junho de 2010

Banalidade feliz


"Eis que o meu pasmo se desfez, pensando melhor. Somente - confesso - experimentei uma vaga desilusão quando vi o meu amigo descer do seu pedestal de bizzaria para a banalidade. Nessa banalidade, ia ser feliz. Eu alegrava-me por consequência".

(Loucura, Mário de Sá-Carneiro, p. 28)

5 comentários:

  1. O HOMEM
    (à João Cabral de Melo Neto, in memorian)


    Esse ser fraco, frágil e desnorteado
    Que cabe num beijo recebido ou dado
    E num abraço pode ser dar por perdido
    É o Homem: ser de eternas dúvidas.

    Esse que pensa, reflete e questiona
    E no amor busca sua própria saída
    E a qualquer hora a tudo desacredita
    É o Homem: ser de razão e dúvidas.

    Esse ser que cria, planeja e inventa
    Que tudo quer e nada lhe alimenta
    É o Homem: ser de dor e angústias.

    Esse mesmo ser que luta e acumula
    Consigo mesmo entra em aflição dura:
    Vê que uma flor suplanta sua fortuna.

    Guina*

    * poema do livro SUBLIME, publicado em maio/2010.

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  2. até quando?... até quando?... ele ser feliz... e eu sentir-me feliz por ele. a alegria banal é mais falsa que o amor eterno...
    um beijo!

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  3. INÓPIA NACIONAL
    (À Pablo Neruda, in memorian)



    Houve, por trás
    Todo um engenho jurídico
    De leis aqui
    De leis acolá

    Tudo muito bem definido
    Um arcabouço de conceitos
    Sutil, perverso, mentiroso

    Criando nossa pobreza
    Nossa ignorância
    nossa ignomínia

    Até alterar nosso corpo
    Mudar nossa face
    mudar nosso riso
    Pela fome quotidiana.

    Houve por trás
    Uma mentira hasteada
    Um canto anunciado
    Símbolos trabalhados

    Até cores delinearam
    Até imagens fantasiaram
    Até Castelos ergueram

    Para escravizar
    Para esfomear
    Para empobrecer
    Para aviltar.

    Houve, por trás
    (como até hoje há)
    O discurso evasivo
    A insinceridade pública
    A mentira deslavada

    Recriando a escravidão
    Recriando a pobreza
    Recriando a fome
    Recriando a ignorância.

    Houve, por trás
    Toda uma teia
    Todo um burburinho

    De lei e leis
    De Instituição e Instituições
    De ordem e ordens
    De Bandeira e Bandeiras
    De Hino e Hinos
    De Símbolo e Símbolos

    Para re-escravizar o povo
    Para re-empobrecer o povo
    Para esfomear o povo

    Em nome da Democracia
    Em nome da Ordem
    Em nome do Progresso

    Isso, desde Marechal Deodoro,

    Aquela Fonseca.


    Guina*
    2010

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  4. A alegria está nas banalidades, não? Carpinejar diz: "minha alegria é burra". Só produz beleza quem sofre.

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