segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Beatriz Bracher in: Anatomia do paraíso. Editora 34, p. 38. - Uma das leituras do momento.

da vida, da arte


Philip Roth in: Os fatos, A autobiografia de um romancista. Companhia das Letras, p. 173.

das coisas

As coisas nunca são só o que parecem. E nunca são só acerca de ti.

Inês Pedrosa in: Dentro de ti ver o mar.

das promessas

(...) com suas promessas nunca alcançáveis, com suas promessas que estavam sempre um passo adiante do alcance das nossas mãos, como a cenoura que pende da ponta de uma vara e está sempre um passo adiante do focinho do burro e este, por não se dar conta de que a vara está presa às suas costas continua sempre a caminhar, certo de que está a ponto de alcançá-lo e saciar seu desejo.

Luis S. Krausz in: Bazar Paraná. Editora Benvirá.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

sem acreditar

- Você acha que vive melhor?
- Merda por merda, acho que eu ainda prefiro a minha.
- Você encontra algum prazer nas coisas que faz, você está satisfeito consigo mesmo, era isso que você queria?
- Você sabe o que eu queria, Lena - disse ele, olhando-a significativamente.
- Não me venha com demagogia. Se você queria tanto, por que se esforçou tanto para me perder?
- Eu sei que você não acredita, mas eu te amei do modo mais sensível.

(Maria Adelaide Amaral in: Aos meus amigos. Ed. Globo, p. 142)

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da irresponsabilidade

Aos meus amigos, editora Globo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ainda menos

- Eu não gostei da sua ironia!
- Você ia gostar menos ainda da minha sinceridade.
(Maria Adelaide Amaral in: Aos meus amigos. Ed. Globo, p. 169)


terça-feira, 4 de outubro de 2016

shhhhh

Tendo uma índole introspectiva inata, adora segredos. Finge ignorar aquilo que sabe, e o que se passa no seu coração dificilmente lhe chega aos lábios. O que é pior é que ela considera esse tipo de reserva uma virtude feminina.

Junichiro Tanizaki in: A chave. Companhia Das Letras, p. 8.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

vivemos desconcentrados

- Que sabes tu da felicidade?
- O mesmo que tu. O mesmo que todas as pessoas que cansaram de a procurar.
- Eu nem tentei. Nunca acreditei na possibilidade de ser feliz.
- Tanto faz. Não é uma questão de procura, apenas de atenção. A atenção demora. Vivemos desconcentrados.
- Foste feliz, tu?
- Aprendi a ser. Sou feliz, agora.

Inês Pedrosa in: Desnorte. Ed. Dom Quixote.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

do amor, da fúria

(...) na realidade, o amor não me passou tão depressa quanto a fúria: agarrava-me àquela frase do timbre.

Inês Pedrosa in: Desnorte. Ed. Dom Quixote.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

do frio


Flavio Cafiero in: O frio aqui fora. Cosac Naify, p. 37.

sempre o tempo

O tempo é uma medida do espírito, não dos dias que passam.

Inês Pedrosa in: Desnorte.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

do silêncio

Ela precisava aprender a se calar em vez de ficar procurando palavras para o que não cabe nelas. Cacoete de achar que o silêncio incomoda, intimida.

Adriana Lisboa in: O sucesso. Ed. Alfaguara, p. 80.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

e não foi inútil

Sempre me chamava de Pedrito. Jamais me chamou de Pedro Juan. Era doce ouvir sua voz acariciando meu nome. Eu me concentrava tanto quando a olhava que ela devia saber que estava mais apaixonado do que um cão. Que não podia viver sem olhar para ela todo dia. Claro que sabia. E devia rir de mim. (...) Perdi muito tempo nessa paixão inútil e deliciosa. Ou talvez não. E não foi inútil. É uma das lembranças mais bonitas que eu tenho na memória. Foi um amor intenso e profundo. De mão única. Não havia reciprocidade. Depois, com o passar dos anos, aprendi que quase sempre o amor se manifesta assim: numa direção só. É uma corrente que flui num sentido e poucas vezes tem resposta. Felizes aqueles que conseguem usufruir um amor que se manifesta, com a mesma força, nas duas direções.

Pedro Juan Gutierréz in: Fabián e o caos. Ed. Alfaguara, p. 48-49.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

do irritante

De forma curiosa, a sua voz, apesar de terrivelmente fraca, dessa vez é ouvida perfeitamente. Existe, na realidade, uma circunstância em que até a voz mais fraca é ouvida. É quando profere ideias que nos irritam.

Milan Kundera in: A Lentidão. Editora Nova Fronteira, p.86.