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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Fetiche como laço estrutural do amor


"Sim, eu mexi no celular dele. Aconteceu uma única vez, não irá se repetir. É simples: não espero não achar nada. Sempre haverá alguma coisinha naquele blackshitberry dele. Essas coisas estarão em qualquer blackbosta, de qualquer um: (já disse Tom Zé) é somente requentar e usar".

(Da crônica "Esse teu olhar", de Cínthya Verri - ou ainda: a namorada do Carpinejar)

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"Vimos anteriormente que, em sua busca desenfreada de indícios e de sinais de uma traição ou de uma confissão, o apaixonado funciona como um fetichista. Mas eu gostaria de insistir agora neste laço estrutural que existe entre os fetiches que precedem o amor, até mesmo que o induziram, e a busca desesperada do apaixonado para encontrar um fetiche nos sinais e nos indícios de sua procura. O apaixonado não procura provas, ele procura uma evidencia que poderia dispensá-lo, de uma vez por todas, de ter que provar. E ao mesmo tempo, evidentemente, ele não quer isso, a não ser para tornar-se verdadeiramente louco na certeza da psicose".

(Gori, R. Lógica das paixões. Rio de Janeiro: Campo Matêmico, 2004. p. 172)

terça-feira, 6 de julho de 2010

o trauma é realidade que a fantasia encobre como uma ilusão


"A fantasia, ao contrário, surge como o espectro encobridor, distorcivo e refratário que ao mesmo tempo supõe e presume este referente. Se assim fosse, as coisas seriam bastante simples: o trauma é realidade que a fantasia encobre como uma ilusão. O problema é que há uma realidade própria desta ilusão, assim como uma ilusão interna a esta realidade".

(A lógica das paixões, Roland Gori, p. 45 - artigo do livro Traumas, org. Ana Maria Rudge)