segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Abandono

“- Eu sei.
- Sabe?
- Sim, Jane. Sei.
Não perguntei como e, abruptamente, me despedi. Estou fraca demais para suportar a dor de outra pessoa. Quero me concentrar na minha. O egoísmo dos recém-abandonados. Ninguém sofreu como eu sofri. Tire este sofrimento amargo de mim. Não é para mim este cálice amargo. Maldito seja. Não me obrigue a bebê-lo. Aargh. Pronto, pronto. Já acabou. Até a última gota. Muito bem. Boa garota. Você bebeu até a última gota. É a melhor maneira, creia-me. Todo este negócio de golinhos e de todo mundo segurando a mão. Uma total perda de tempo. Abra a boca. Deixe a lava entrar. Descer pela língua e pela garganta abaixo, arrancando a membrana. Bom, tudo vai soar diferente e ter um gosto diferente. Como deve ser.”

(Josephine Hart in: Abandono. Ed. Record, p. 55)

2 comentários:

  1. Ás vezes, acontece da fraqueza vir em goles - pequenos - e quando se acorda, não mais se existe!

    Bom demais esse texto! Memorável.

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