quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

abandoneio-o para sempre quatro ou cinco vezes

Patrick Demarchelier
"Chegávamos sempre a um ponto em que eu queria entrar no seu quotidiano e ele fugia. Batia com a porta na casa dele . E bati-lhe também, algumas vezes. Abandoneio-o para sempre quatro ou cinco vezes. Não sei como é que ele fazia para tropeçar em mim sempre que as minhas relações normais estavam a entrar na normalidade absoluta, ou seja, na morte."

(Inês Pedrosa in: Fazes-me falta. P. 206)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

e a saudade - Claudia Nina

Noite escura
"Então inventei tudo aquilo para transformar o mais horrível dos sentimentos - que é a saudade, não me venha com poesia, a saudade é pior que a morte..."

(Claudia Nina in: Esquecer-te de mim. Ed. Babel, p. 92)

e nem as roupas, e nem os poetas, e nem as palavras - Adriana Lisboa

"Agora ela já não está mais ao seu lado para conversas possivelmente longas que começariam na sala, com uma música qualquer, uma bebida qualquer e uma comida quase intocada, e terminariam em algum espaço alternativo do mundo dos dois, o intervalo entre uma inspiração e uma expiração, onde caberia toda uma existência, e onde nenhuma daquelas coisas seria necessária, e nem as roupas, e nem os poetas, e nem as palavras."

(Adriana Lisboa in: Rakushisha. Ed. Rocco, p, 59)

aprendeu a explorar a grande aversão que formava a base de sua existência - P. Roth

Ralph Gibson
"(...) até que aos trinta e oito anos de idade... (...) aprendeu a explorar a grande aversão que formava a base de sua existência, com toda a arrogância de uma pessoa que jamais conseguiu fazer nada com sucesso."

(Philip Roth in: A marca humana. Ed. Companhia das Letras, p. 84)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ah, como tinha vontade de dizer - Milan Kundera

Índia song
"Tinha vontade de dizer-lhe, como a mais comum das mulheres: não me deixe, me guarde perto de você, me escravize, seja forte! Mas eram palavras que não podia e não sabia pronunciar.
Quando ele afrouxou o abraço ela apenas disse: - Como estou contente de estar com você! - Com sua natural discrição não podia dizer mais do que isso."

(Milan Kundera in: A insustentável leveza do ser. Ed. Record, p. 104)

Tapava um desgosto com outro - Inês Pedrosa

"Mas a Glória consolava-se depressa. Ou talvez fosse propriamente inconsolável. Tapava um desgosto com outro, os homens sucediam-se na sua vida como pazadas de terra sobre um poço sem fundo."

(Inês Pedrosa in: Nas tuas mãos. Ed. Planeta, p. 98)

Concurso cultural “Esquecer-te de mim”

O blog "Vem cá Luísa, me dá tua mão", em parceria com a escritora Claudia Nina - autora do recém lançado "Esquecer-te de mim" (Eb. Babel) - tem um desafio aos leitores.

Responda: O que significa para você o título "Esquecer-te de mim"?

A melhor resposta vai ganhar um livro "Esquecer-te de mim", autografado pela autora.

Algumas regrinhas:
1) Além da resposta, é preciso curtir as páginas do "Esquecer-te de mim" e do “Vem cá Luísa..." no Facebook. Quem não tem perfil no Facebook, precisa ser seguidor do “Vem cá Luísa...”
2) A resposta precisa ter no máximo 400 caracteres com espaço.
3) A promoção começa hoje (31/01) e a resposta escolhida será divulgada em 01 de março de 2012.
4) As respostas devem ser enviadas para o e-mail vanessa.sza@bol.com.br com o título de e-mail "Esquecer-te de mim". Elas devem ser escritas no corpo do e-mail.
5) Os participantes devem residir no Brasil

nunca se sabe ao certo o quanto é pérola e o quanto é plástico

"Ora, isto poderia ser ou não verdade.Poderia ser a mais pura invenção por parte de Dart ou talvez tivesse um grãozinho de verdade... (...) como a conta que o pescador de pérolas japonês enfia na ostra para tapear o molusco e fazê-lo liberar a sua preciosa radiância corporal. Com Dart nunca se sabe ao certo o quanto é pérola e o quanto é plástico.
(...) E me dá aquele seu sorriso encabulado de me ame."

(Erica Jong in: O vício da paixão. Ed. Círculo do Livro, p. 187)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Viver é pôr em lista vidas perdidas


"A vida é ruim; eu sei. Tempo todo vamos nos perdendo uns dos outros para sempre.Viver é pôr em lista vidas perdidas; é reedificar saudades; é renovar o luto."

(Evandro Affonso Ferreira in: Minha mãe se matou sem dizer adeus. Ed. Record, p. 92)

e essa garotada só viu Guerra nas estrelas - Philip Roth

"Cheguei a Yale muito cartesiana, e lá tudo era muito mais pluralista e polifônico."Achava graça nos alunos da graduação. Cadê o lado intelectual deles? Ficou chocadíssima ao ver como eles se divertiam. Uma maneira totalmente caótica e nada ideológica de pensar - de viver! Nunca viram um filme do Kurosawa - nem isso eles conhecem. Quando tinha a idade deles, Delphine já tinha assistido a todos os Kurosawa, todos os Tarkovski, todos os Fellini, todos os Antonioni, todos os Fassbinder, todos os wertmüller, todos os Satyajit Ray, todos os René Clair, todos os Wim Wenders, todos os Truffaut, os Godard, os Chabrol, os Resnais, os Rohmer, os Renoir, e essa garotada só viu Guerra nas estrelas."

(Philip Roth in: A marca humana. Ed. Companhia das Letras, p. 242)

que você tem as suas opções é outra história - Erica Jong

"Compreender as consequências de nossos atos não é a mesma coisa que culpa. A culpa é inútil. Aautoflagelação também. Mas ver que os seus atos tem consequências e que você tem as suas opções é outra história."

(Erica Jong in: O vício da paixão. Ed. Círculo do Livro, p. 138)

sábado, 28 de janeiro de 2012

- Amanheça, por favor! (Leminski)

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!

(Leminski)

o amor não é eterno porque as lembranças não permanecem sempre verdadeiras - Proust


"Sem dúvida, o amor não é eterno porque as lembranças não permanecem sempre verdadeiras, e porque a vida se faz à custa de perpétua renovação das células. Mas, essa renovação através das lembranças é, de qualquer modo, retardado pela atenção, que detém e fixa um momento destinado a mudar."

(Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 5 - A Fugitiva. Tradução de Carlos Drummond de Andrade. Ed. Globo, p.139)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração - Caio F.

"(...) Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano REAL: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto & aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e que também ficaria em silêncio. (...) Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo dizer me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa?".

(Caio F. em carta para Juliana Cantore, 20/05/83 - Caio Fernando Abreu, Cartas, Ed. Aeroplano, organizado por Italo Moriconi)

Ouçam