domingo, 9 de outubro de 2011

Assistam, meninas! Por um domingo menos ordinário :)

Colírio de domingo

e a gentileza?

"(...) estou cansado demais para ser gentil".

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 162)

sábado, 8 de outubro de 2011

bebia com olhos de adeus

"- É, você é uma bonita mulher - disse Klima, e eram as primeiras palavras sinceras que elhe lhe dizia naquele dia. Kamila era de uma beleza celestial, e Klima sentia uma dor imensa em pensar que essa beleza corria um perigo mortal. Mas essa beleza sorria-lhe e começava a despir-se frente a seus olhos. Olhava seu corpo se desnudar e era como dizer-lhe adeus. (...) Ele a observava com nostalgia, como uma lembrança. Como através de um vidro. Como se olha ao longe. (...) Bebia essa nudez como um condenado bebe seu último copo antes da execução. Bebia essa nudez como se bebe um passado perdido e uma vida perdida."

(Milan Kundera in: A valsa dos adeuses. Ed. Nova Fronteira, p. 170)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

muito eloqüente

"Marguerite Duras - O casal é horrível, pessoas que dizem: "Vamos ficar juntos": "ficar juntos" é uma expressão popular... muito eloqüente. Comer a mesma coisa, no mesmo espaço, fechar as portas.
Xavière Gauthier - É..., é uma forma de se refugiar e ficar tranqüilo.
M.D. - Ah, sim, é evitar completamente a aventura. Qualquer aventura, é a única coisa válida, não estou falando de aventura amorosa e passional, é qualquer aventura, do espírito, tudo."

(Marguerite Duras e Xavière Gauthier in: Boas falas - conversas sem compromisso. Ed. Record, p. 85)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

surpresa da escrita

"ÉPOCA - Qual é seu método para criar uma história?
Roth - Não monto um esquema como alguns autores. Sou intuitivo. Começo com uma ideia e vou testando para ver se ela gera uma ação. Os personagens ganham vida, e livro toma corpo. Minhas histórias surgem da surpresa da escrita."

(Entrevista com Philip Roth - Revista ÉPOCA, 3 de outubro de 2011, número 698)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma companhia triste é uma má companhia

"- Pensei muito em você...
(...) - Eu estava tão triste, que tinha até medo de encontrar as pessoas. Uma companhia triste é uma má companhia.
- Eu também estava triste".

(Milan Kundera in: A valsa dos adeuses. Ed. Nova Fronteira, p. 49)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

-

"Mas agora que estava só, as palavras ressoavam de novo, com esses ruídos interiores do ouvido que se ouvem logo que alguém cessa de nos falar".

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 4 - Sodoma e Gomorra.Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 415)

domingo, 2 de outubro de 2011

o mais difícil

"Mas apesar dessas diferenças, como lhe parecia que as sufocações de sua irmã deviam constituir autoridade, não podia acreditar que o que "aprovava" nas suas não fosse indicado para as minhas e irritava-se que eu não o experimentasse, mas há uma coisa mais difícil ainda do que seguir um regime: é não impô-lo aos outros".

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 4 - Sodoma e Gomorra.Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 390)

sábado, 1 de outubro de 2011

do tempo

"- Foi há muito tempo.
- E por acaso torna as coisas melhores, Andrew? O tempo? Por acaso torna as coisas melhores?
- Espero que sim, Jane. Realmente espero que sim."

(Josephine Hart in: Abandono. Ed. Record, p. 172) 

Por não atropelar as palavras, ela soava desgraçadamente animada





"No seu nervosismo, passou a falar mais depressa, embora suas palavras fossem enunciadas precisamente. Como um patinador sobre o gelo fino, ela acelerava para evitar o afogamento. Disparava com frases, como se bastasse a velocidade para fazer sentido, como se também pudesse propelilo além das contradições, girá-lo com tal rapidez em torno da curva de suas intenções que já não lhe restaria objeção a que se agarrar. Por não atropelar as palavras, ela soava desgraçadamente animada, quando na verdade, estava perto do desespero."

(Ian McEwan in: Na praia. Ed. Companhia das Letras, p. 118-119)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ou seja, é mais fácil ser infeliz

“Aquilo que em seu sentido mais estrito é chamado de felicidade surge antes da súbita satisfação de necessidades represadas em alto grau e, segundo sua natureza, é possível apenas como fenômeno episódico. Toda permanência de uma situação anelada pelo princípio do prazer fornece apenas uma sensação tépida de bem-estar; somos feitos de tal modo que apenas podemos gozar intensamente o contraste e somente muito pouco o estado. Dessa forma, nossas possibilidades de felicidade já são limitadas pela nossa constituição. Muito menores são os obstáculos para experimentar a infelicidade.”

(Freud in: O mal-estar na cultura. L&M Pocket, p. 61)

pesada, que abandono pouco a pouco


"Qualquer dia olho para ti e já não sei quem fomos - encontros, desencontros, iras, ressentimentos, tudo se transforma numa massa fosca, pesada, que abandono pouco a pouco".

(Inês Pedrosa in:Fazes-me falta, p. 38)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

não, não passam

"As grandes sensibilidades não passam impunes"

(Clarice Lispector)

A gente não se recusar a se entregar a qualquer tipo de entrega

"A gente tá se perdendo todos os dias, pedindo pras pessoas erradas. Mas o negócio é procurar. A gente não se recusar a se entregar a qualquer tipo de amor ou de entrega. Eu nunca vi por que evitar a fossa. Se a fossa veio é porque ela tinha que vir. O negócio é viver ela e tentar esgotar ela."

(Caio F. in: O essencial da década de 1970. Ed. AGIR, p. 348)

o escrito: sozinho e livre de você

“É impossível escapar de um livro, antes que ele esteja afinal escrito – ou seja: sozinho e livre de você que o escreveu. É tão insuportável quanto um crime.”

(Marguerite Duras in: Escrever. Ed. Rocco, p. 21-22)