quarta-feira, 12 de outubro de 2011

nada se pode fazer na vida.

Se não se passou pela obrigação absoluta de obedecer ao desejo do corpo, isto é, se não se passou pela paixão, nada se pode fazer na vida.

Marguerite Duras

terça-feira, 11 de outubro de 2011

a vida, a literatura

Louise Amelie Landre

"Eu quis tanto aproximar a vida da literatura. É o que todo mundo quer, não? Viver algo que valha a pena ser narrado. Narrar algo que valha a pena ser vivido."

(Antônio Xerxenesky in: A página assombrada por fantasmas. Ed. Rocco)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

coragem, sim. porém...

"Ela devia partir em viagem esta manhã e, desde uma semana, todos os dias, eu me perguntava se teria coragem, de não lhe telegrafar que voltava. Tive essa coragem, mas sentia-me tão infeliz que me julguei a ponto de matar-me."

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 4 - Sodoma e Gomorra.Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 407)

do que se desloca

"Xavière Gauthier - De fato, sim, mas você não acha que na vida as pessoas acham que sabem que seguem uma pessoa muito precisa, sem perceber que o que seguem é onde estiver o desejo, onde estiver o amor.
Marguerite Duras - Sim, a pessoa é um suporte passageiro. É isso que você quer dizer?
X.G. - É.
M.D. - Sim, seria sempre o mesmo amor, no início, que se deslocaria, de pessoa em pessoa."

(Marguerite Duras e Xavière Gauthier in: Boas falas - conversas sem compromisso. Ed. Record, p. 92)

Era belo como uma vertigem

“A confiança que emanava dos olhos de Bertlef era como um banho maravilhoso e Ruzena desejava que esse olhar, que a inundava e a acariciava, durasse o maior tempo possível.
- É verdade? Sou assim mesmo?
- É. Eu sei.
Era belo como uma vertigem: aos olhos de Bertlef ela se sentia delicada, terna, pura, ela se sentia nobre como uma rainha. De repente, era como se estivesse recheada de mel e de plantas perfumadas. Ela se achava adorável. (Meu Deus! Nunca lhe tinha acontecido ainda achar-se tão deliciosamente adorável.)"

(Milan Kundera in: A valsa dos adeuses. Ed. Nova Fronteira, p. 164)

domingo, 9 de outubro de 2011

Assistam, meninas! Por um domingo menos ordinário :)

Colírio de domingo

e a gentileza?

"(...) estou cansado demais para ser gentil".

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 162)

sábado, 8 de outubro de 2011

bebia com olhos de adeus

"- É, você é uma bonita mulher - disse Klima, e eram as primeiras palavras sinceras que elhe lhe dizia naquele dia. Kamila era de uma beleza celestial, e Klima sentia uma dor imensa em pensar que essa beleza corria um perigo mortal. Mas essa beleza sorria-lhe e começava a despir-se frente a seus olhos. Olhava seu corpo se desnudar e era como dizer-lhe adeus. (...) Ele a observava com nostalgia, como uma lembrança. Como através de um vidro. Como se olha ao longe. (...) Bebia essa nudez como um condenado bebe seu último copo antes da execução. Bebia essa nudez como se bebe um passado perdido e uma vida perdida."

(Milan Kundera in: A valsa dos adeuses. Ed. Nova Fronteira, p. 170)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

muito eloqüente

"Marguerite Duras - O casal é horrível, pessoas que dizem: "Vamos ficar juntos": "ficar juntos" é uma expressão popular... muito eloqüente. Comer a mesma coisa, no mesmo espaço, fechar as portas.
Xavière Gauthier - É..., é uma forma de se refugiar e ficar tranqüilo.
M.D. - Ah, sim, é evitar completamente a aventura. Qualquer aventura, é a única coisa válida, não estou falando de aventura amorosa e passional, é qualquer aventura, do espírito, tudo."

(Marguerite Duras e Xavière Gauthier in: Boas falas - conversas sem compromisso. Ed. Record, p. 85)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

surpresa da escrita

"ÉPOCA - Qual é seu método para criar uma história?
Roth - Não monto um esquema como alguns autores. Sou intuitivo. Começo com uma ideia e vou testando para ver se ela gera uma ação. Os personagens ganham vida, e livro toma corpo. Minhas histórias surgem da surpresa da escrita."

(Entrevista com Philip Roth - Revista ÉPOCA, 3 de outubro de 2011, número 698)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma companhia triste é uma má companhia

"- Pensei muito em você...
(...) - Eu estava tão triste, que tinha até medo de encontrar as pessoas. Uma companhia triste é uma má companhia.
- Eu também estava triste".

(Milan Kundera in: A valsa dos adeuses. Ed. Nova Fronteira, p. 49)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

-

"Mas agora que estava só, as palavras ressoavam de novo, com esses ruídos interiores do ouvido que se ouvem logo que alguém cessa de nos falar".

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 4 - Sodoma e Gomorra.Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 415)

domingo, 2 de outubro de 2011

o mais difícil

"Mas apesar dessas diferenças, como lhe parecia que as sufocações de sua irmã deviam constituir autoridade, não podia acreditar que o que "aprovava" nas suas não fosse indicado para as minhas e irritava-se que eu não o experimentasse, mas há uma coisa mais difícil ainda do que seguir um regime: é não impô-lo aos outros".

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 4 - Sodoma e Gomorra.Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 390)

sábado, 1 de outubro de 2011

do tempo

"- Foi há muito tempo.
- E por acaso torna as coisas melhores, Andrew? O tempo? Por acaso torna as coisas melhores?
- Espero que sim, Jane. Realmente espero que sim."

(Josephine Hart in: Abandono. Ed. Record, p. 172) 

Por não atropelar as palavras, ela soava desgraçadamente animada





"No seu nervosismo, passou a falar mais depressa, embora suas palavras fossem enunciadas precisamente. Como um patinador sobre o gelo fino, ela acelerava para evitar o afogamento. Disparava com frases, como se bastasse a velocidade para fazer sentido, como se também pudesse propelilo além das contradições, girá-lo com tal rapidez em torno da curva de suas intenções que já não lhe restaria objeção a que se agarrar. Por não atropelar as palavras, ela soava desgraçadamente animada, quando na verdade, estava perto do desespero."

(Ian McEwan in: Na praia. Ed. Companhia das Letras, p. 118-119)