Sua virulência verbal tinha muitas vezes a assustadora aparência de um retábulo de Caravaggio. Costumava dizer que só conseguia encarar a vida de frente atrás das palavras.
Evandro Affonso Ferreira in: Os piores dias de minha vida foram todos. Ed. Record, p. 52.
Imagem: Francinette Ferreira
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Os piores dias de minha vida foram todos
Não estreitava relações com nada-ninguém, conservando-me na obscuridade. Sei que os piores dias de minha vida foram todos. Esborralhas congênitas: dentes ainda na juvenescência saíram dos quícios dos eixos; apodrecimento precoce - perdi o riso.
Evandro Affonso Ferreira in: Os piores dias de minha vida foram todos. Ed. Record, p. 15.
www.vemcaluisa.blogspot.com.br
Evandro Affonso Ferreira in: Os piores dias de minha vida foram todos. Ed. Record, p. 15.
www.vemcaluisa.blogspot.com.br
terça-feira, 23 de setembro de 2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
...
(Porque, embora deva ser breve a nossa vida, é só enquanto sofremos que nossos pensamentos, de algum modo agitados por movimentos perpétuos e ondulantes, elevam, como numa tempestade, a um nível onde se torna visível, toda essa imensidão regida por leis, que, debruçados a uma janela mal colocada, não conseguimos avistar, porque deixa-a rasa e lisa a calma da felicidade; só para alguns grandes gênios tal movimento existirá sempre, independente da agitação da dor; não o podemos todavia afirmar, pois, ao contemplar-lhes o largo e regular desenvolvimento das obras alegres, inferimos, da alegria da produção, a da vida, talvez ao contrário constantemente dolorosa?)
Proust in: O tempo redescoberto. Tradução de Lúcia Miguel Pereira. Ed. Globo, p. 173.
Proust in: O tempo redescoberto. Tradução de Lúcia Miguel Pereira. Ed. Globo, p. 173.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
a graça dos seres
- Você que ama tanto as coisas da inteligência... - dizia-lhe France.
- Não amo de modo algum as coisas da inteligência; só amo a vida e o movimento - respondia Proust.
Era sincero; a inteligência lhe era tão natural que ele nem valorizava seus jogos, invejando e admirando, isto sim, a graça dos seres de instinto.
André Maurois in: Em busca de Proust.Ed. Siciliano, p. 51.
- Não amo de modo algum as coisas da inteligência; só amo a vida e o movimento - respondia Proust.
Era sincero; a inteligência lhe era tão natural que ele nem valorizava seus jogos, invejando e admirando, isto sim, a graça dos seres de instinto.
André Maurois in: Em busca de Proust.Ed. Siciliano, p. 51.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Ouvir de novo, acreditar.
Na fita da secretária eletrônica, deixar só um recado. Ouvir de novo, acreditar. Nem precisa ser de verdade. Rosas vermelhas brilham no escuro da sala quase toda branca. Quando teu pensamento me chamou foi bonito.
(Caio F. in: A vida gritando nos cantos. Ed. Nova Fronteira, p. 145)
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
nada
Silêncio.
"O que você tem, meu amor?"
"Nada." Um nada, o segundo, cujo significado era, claramente: Não me venha com essa de "meu amor".
Philiph Roth in: A marca humana. Companhia das Letras.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
como
“Quando, em uma entrevista, me fazem a pergunta: ‘Como o senhor escreveu o seu romance?, em geral corto e respondo: ‘Da esquerda para a direita´.”
(ECO, 2003, p. 285)
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Sabia que eu precisava terminar o que nem tinha começado
Preciso escrever, eu disse, com pompa, como um presidente da república que justificasse sua falta de tempo em atender às demandas de uma dona de casa, suas reclamações do gás de cozinha. Você sabe, eu preciso terminar isto aqui.
É claro que ela sabia. Sabia que eu precisava terminar o que nem tinha começado; que precisava começar. E eu, por meu lado, sabia também que ela não ignorava, por mais que este parágrafo fique truncado e confuso; eu sabia que ela não ignorava minha derrota cotidiana, meu fracasso diário, minha rendição incondicional à vida: eu entregava os sonhos como um condenado sob tortura entrega os cúmplices. A grande diferença, e ela tinha consciência também desse detalhe, é que eu me rendia, traía e entregava sem ter sido torturado.
Alexandre Marques Rodrigues in: Parafilias. Ed. Record, p.16-17.
É claro que ela sabia. Sabia que eu precisava terminar o que nem tinha começado; que precisava começar. E eu, por meu lado, sabia também que ela não ignorava, por mais que este parágrafo fique truncado e confuso; eu sabia que ela não ignorava minha derrota cotidiana, meu fracasso diário, minha rendição incondicional à vida: eu entregava os sonhos como um condenado sob tortura entrega os cúmplices. A grande diferença, e ela tinha consciência também desse detalhe, é que eu me rendia, traía e entregava sem ter sido torturado.
Alexandre Marques Rodrigues in: Parafilias. Ed. Record, p.16-17.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
dos sonhos
Você sabe do que estou falando, muitos de nossos sonhos não se concretizam; alguns, sim, outros caem num caminhão de merda, e essa é a natureza da vida, ganhar e perder, nascer e morrer, caminhar e correr...
Carlos Henrique Schroeder in: As fantasias eletivas. Ed. Record, p.59.
Carlos Henrique Schroeder in: As fantasias eletivas. Ed. Record, p.59.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
da literatura
Pois é hora de pedir à literatura que se erga, que abandone a passividade, e que volte a ocupar o lugar que, de fato, lhe cabe; que renuncie ao divã e venha se sentar, ela sim, na poltrona do analista. Que volte ao barco de Hemingway, aos delírios de Virginia, ao escritório de Kafka, à cozinha de Adélia, ao balcão de Pessoa. Que volte a viver – e a dar as cartas. E que simplesmente esqueça de nós, intérpretes bem treinados, arrogantes com nossos títulos e nossas referências, interrogadores e investigadores profissionais. E que nós tenhamos a coragem de retomar nosso posto, mais humilde e mais perturbador, de leitores; que tenhamos a humildade, e mais que isso, a ousadia, de deitar no divã, deixando que grandes ficções e grandes poemas nos interpretem, e não o contrário. A nós, enquanto sujeitos, e à realidade que habitamos, ao mundo de que fazemos parte, ao real.
José Castello
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
das comparações
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa. Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
(Alberto Caeiro)
Imagem: André Kertész
(Alberto Caeiro)
Imagem: André Kertész
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
o belo
Olha, sabe duma coisa que eu aprendi? O segredo do belo está aqui, ó. [...] Na sua cuca, no seu olho que realmente vê, dentro de você. Se você souber olhar as coisas dum jeito mágico, tudo fica mais bonito.
Caio F.
Assinar:
Postagens (Atom)









.jpg)





