sexta-feira, 23 de setembro de 2011

É que tenho o espírito em outro lugar

"Para dizer a verdade, sejamos ao menos francos, já faz um bom tempo que não sei mais o que digo. É que tenho o espírito em outro lugar. Eis-me desculpado. A partir do momento em que se tem o espírito em alguma parte, tudo é permitido."

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 69)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nesse (maldito) último mês

"Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais
Nesse último mês".

(Engenheiros do Hawaii in: Eu que não amo você)

Pra pensar menos

Elegy
"(...) estando ela presente ou não, jamais me sentia seguro em relação a ela. O lado obsessivo desse estado era terrível. Quando se está sendo iludido, ajuda não pensar demais e simplesmente gozar o prazer da ilusão. Mas pra mim esse prazer não existia: eu só fazia sofrer - pensar, preocupar-me e sofrer, sim."

(Philip Roth in: O animal agonizante. Ed. Companhia das Letras, p. 26)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Isso não pode continuar

"No final do romance, numa palavra que precipitará o suicídio de Werther, Chartlotte (que também tem seus problemas) acaba por constatar que “isso não pode continuar assim”. O próprio Werther poderia ter dito isso, e muito cedo, pois é próprio da situação amorosa ser imediatamente intolerável, passado o deslumbramento do encontro. Um demônio nega o tempo. o amadurecimento, a dialética e diz a cada instante: isso não pode durar!

Entretanto, isso dura, senão para sempre, pelo menos durante muito tempo. A paciência amorosa tem pois como ponto de partida sua própria denegação; ela não se origina nem de uma espera. Nem de um domínio, nem de um artifício, nem de uma coragem; é uma infelicidade que não fica gasta, na proporção da sua acuidade; uma serie de investidas, a repetição (cômica?) do gesto pelo qual eu me significo que decidi – corajosamente! – acabar com a repetição; a paciência de uma impaciência.
(Sentimento razoável: tudo tem jeito – mas nada dura. Sentimento amoroso: nada tem jeito – e no entanto dura.)"

(Roland Barthes in: Fragmentos de um discurso amoroso. P. 132)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Nos buracos de silêncio das janelas

Vermeer

"É de olhos abertos que te encontro - nos buracos de silêncio da minha casa, nos interstícios das multidões de fim de tarde, no bafo sobre os vidros, quando o frio esmaga a noite."

(Inês Pedrosa in:Fazes-me falta, p. 185)

Como se houvesse um sentido, seja qual for

"Só tenho de continuar, como se houvesse algo a fazer, algo a começar, algum lugar aonde ir. Tudo se reduz a uma questão de palavras, é preciso não esquecer, eu não esqueci."

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 85)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011