quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Estátua!

Dogville
"Não saio do lugar. É preciso não fazer muitos movimentos, não desperdiçar energia, guardar todas as forças para o suplício."

(Marguerite Duras in: A Dor. Ed. Círculo do Livro, p. 10)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Lá no Conlapsa da UERJ - 31/08

"O eu é sempre detestável".

 (Voltaire)

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"- Então o que o senhor acha dela? - perguntou
(...)
 - Sei, não é nenhum beleza.
- Certamente que não - disse Havel.
O jornalista baixou a cabeça. - Ela é um pouco tagarela. Mas, fora isso é simpática.
- É, simpática - disse Havel - Mas um cachorro também pode ser simpático, ou canário ou um pato que corre desajeitadamente de um lado para o outro da fazenda também. O que conta na vida não é ter o maior número possível de mulheres, porque isso é apenas um êxito aparente. Você deve, de preferência, cultivar uma exigência especial em relação a si mesmo. Lembre-se, meu amigo, que o verdadeiro pescador devolve à água os peixes pequenos."

(Milan Kundera in: Risíveis amores. Ed. Nova Fronteira, p. 183)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

transformava uma dor em vírgula





"Um dia eu dei pra transformar coisa curta:
transformava uma dor em vírgula;
virava um alívio em ponto de exclamação;
transformava uma esperança em interrogação.
Gostei. Me senti meio feiticeira."


(Lygia Bojunga in: Tchau. Conto: A troca e a tarefa. Ed. AGIR, p. 60)

do que é recalcado

Gianluca Tedaldi
"Sou o que não foi, o que vai ficar calado."

(Guimarães Rosa in: Ficção completa. "A terceira margem do rio". Vol.II. Ed. Nova Aguilar, p. 413)

Para os que cheiram, tocam, provam...

Camille Claudel

Composição: Ivan Lins

Daquilo que eu sei
Nem tudo me deu clareza
Nem tudo foi permitido
Nem tudo me deu certeza...

Daquilo que eu sei
Nem tudo foi proibido
Nem tudo me foi possível
Nem tudo foi concebido...

Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah Eu!
Usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!

*Porque os amigos sempre tem as palavras certas, as músicas precisas, o colo mais aconchegante... Obrigada, B.-Érica, pela música, no mal-estar dos domingos...

domingo, 4 de setembro de 2011

O homem é responsável pela própria ignorância

"- Se fôssemos responsáveis apenas pelas coisas de que somos conscientes, os imbecis seriam absolvidos antecipadamente de todas as faltas. Acontece (...) que o homem é obrigado a saber. O homem é responsável pela própria ignorância. A ignorância é uma falta. Por isso nada pode absolver você de sua falta..."

(Milan Kundera in: Risíveis amores. Ed. Nova Fronteira, p. 101)

Ouça

sábado, 3 de setembro de 2011

Não passou/ De um triste desencanto, amor*

"Na sala estava o livro que Marisa tinha me dado. E uma leve náusea que só descobri ao me sentar numa cadeira e apanhar o livro. Náusea de medo, de aversão, mas também de desejo - esse desejo pela vida, que a gente carrega, independentemente de tudo o mais. Amor delicado, devaneio, fantasia. Mortes cotidianas no beco."

(Adriana Lisboa in: Um beijo de colombina. Ed. Rocco, p. 108)

*Trecho da música "Desencanto", do Chico Buarque. 

Ouça

Hora do corte sem costura

Les chansons d´amour

"Chega de amor - que os ódios mais fecundos
nascem, crescem, florescem, frutificam
é à sombra dele mesmo e se trumbicam
as intenções mais lindas deste mundo:

aquelas que só levam para o inferno
aonde o amor espera, pelo avesso,
as ganas paranóides do começo,
para repeti-las em retorno eterno.

Nossa hora é de Lei, de afastamento,
de corte sem costura, de respeito,
mais pra mesura que pra sentimento.

Possa o amor impossível - só depois -
para além da Lei, ganhar um novo jeito:
de dois não fazer um - mas fazer dois."

(MD Magno)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

apenas uma ilusão ter imaginado que nós mesmos selávamos o corcel de nossas aventuras

"Compreendia de repente que de minha parte era apenas uma ilusão ter imaginado que nós mesmos selávamos o corcel de nossas aventuras e que dirigíamos nós mesmos a corrida; que essas aventuras talvez não fossem absolutamente nossas, mas talvez impostas do exterior, de algum modo; que não nos caracterizavam de nenhuma maneira; que não somos nada responsáveis pelo seu insólito percurso; que elas nos arrastam, sendo elas próprias dirigidas não se sabe de onde por não se sabe que forças estranhas."

(Milan Kundera in: Risíveis amores. Ed. Nova Fronteira, p. 63-64)

...

“(…) passava os dias numa disposição de sala de espera, impaciente pelo início de sua vida.”

(Ian McEwan in: Na praia. Ed. Companhia das Letras, p. 44)

O que quer dizer “pensar em alguém”? Quer dizer: esquecê-lo

"Capítulo: A carta de amor

Freud
O que quer dizer “pensar em alguém”? Quer dizer: esquecê-lo (sem esquecimento a vida é impossível) e despertar frequentemente desse esquecimento. Por associação, muitas coisas te trazem para o meu discurso. “Pensar em você” não que dizer nada mais que esta metonímia. Porque, em si, esse pensamento é vazio: eu não te penso; simplesmente te faço voltar (na mesma proporção que esqueço). É essa forma (esse ritmo) que chamo de “pensamento”: nada tenho para te dizer, a não ser que esse nada, é para você que digo:

Goethe
“Porque recorri novamente à escritura?
Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente,
Porque, na verdade, nada tenho para te dizer;
Entretanto tuas mãos queridas receberão este papel.”

(Roland Barthes in: Fragmentos de um discurso amoroso. P. 29)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

da intensidade

" - Um dia você vai ver que a dor não serve para nada - comecei.
- Não fiz o elogio da dor, mas da intensidade. A dor só vem depois e realmente não serve para nada".

(Maria Adelaide Amaral in: A estrela nua. Ed. Record, p. 68)

menos, apenas


“Mulheres tem um ótimo instinto a respeito das coisas. Elas podem descobrir tudo, menos o óbvio.”

(Oscar Wilde)