quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Temporadas


“Sua mãe tinha uns ciclos, eu acho. Umas temporadas. De tempos em tempos ela precisava mudar as coisas essenciais da vida dela e às vezes essas coisas essenciais envolviam outras pessoas”.

(Azul-corvo, Adriana Lisboa, Ed. Rocco, p. 141)

O difícil é descobrir quem sou eu


“Os outros me vêem como sou, ou sou como me vêem os outros? O difícil não é saber como me vêem os outros. Posso lê-lo nos seus olhares. O difícil é descobrir quem sou eu.”

(FLUSSER, Vilém. Língua e realidade. São Paulo: Editora Herder, 1963)

mochila invisível



“Transportava sua tristeza nos ombros, como se fosse uma mochila invisível. (...) Voltei-me cada vez mais para minhas fantasias e meus escritos, e foi assim que comecei a me descobrir. Ele se retirou em sua tristeza, barricou-se atrás dela, e eu retirei-me para meu quarto, a fim de escrever”.

(Medo de Voar, Erica Jong, p. 125)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Franqueza, crueldade, virtude


“- Você não está sendo muito cruel, Lena?
- O problema é que pessoas como você sempre confundem franqueza com crueldade.
- E o problema de pessoas como você é imaginar que a franqueza é uma grande virtude”.

(Aos meus amigos, Maria Adelaide Amaral, Ed. Siciliano, p. 138)

Ações importam - última temporada de House M.D.


“- Porque não disse que me ama? (Cuddy)
- Uma mulher sábia uma vez disse há duas horas atrás: “Porque precisa analisar tudo até o fim? Porque não pode simplesmente curtir?” (House)
- Disse que te amo. Você não disse de volta. Não acha que isto deveria me preocupar?
- Não. Porque palavras não importam. Ações importam”.

(House M.D., primeiro episódio da última temporada)

Oscar Wilde - futuro e passado


“Gosto de homens que têm futuro e de mulheres que possuem um passado”.

(Oscar Wilde)

A melhor parte - nos livros


“- Os escritores – disse ela sabiamente – não exibem a melhor parte de si próprios, a não ser em seus livros”.

(Memória Inventada, Erica Jong, p. 91)

quando você quiser – espero que você possa e queira (Lúcio C. e Clarice L.)





“Nem sei mais o que contar, Lúcio, para mim cartas são cada vez mais um meio gelado de comunicação. (...) Me escreva quando você puder, quando você quiser – espero que você possa e queira”.

(Carta de Clarice Lispector para Lúcio Cardoso, Berna, 23-06-1947 do livro: Correspondências Clarice Lispector, organizado por Teresa Montero, p. 135)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ele a viu e pensou que precisava, com desespero, de algo em que pensar


“Ele a viu e decretou a continuidade do mundo, a extensão do tempo. A incorruptibilidade do coração, que tem seus próprios métodos e sua própria ética, como aliás qualquer músculo. Ele a viu e pensou que precisava, com desespero, de algo em que pensar.
Fazia anos que precisava de algo em que pensar e só agora se dava conta. Precisava de um território onde abrir picadas para voltar a se reconhecer. (...) Fazia anos que não sentia necessidade de amar uma mulher para além do compromisso cotidiano com a subsistência, só para evitar a chave de pescoço da solidão”.

(Azul-corvo, Adriana Lisboa, Ed. Rocco, p. 130)

Temor dos desejos


“Frequentemente a gente teme o que deseja. Não há nada que o neurótico tema mais do que o seu próprio desejo”.

(Maria Anita Carneiro Ribeiro, psicanalista - aula de 01/10/10 do mestrado)

Stardust Memories, Woody Allen


“ – Você não sabe escolher mulher.
- Como assim? E a Dorrie? Dorrie era fabulosa!
- Dorrie é maluca.
- Dorrie era o máximo. Era inteligente, espirituosa, era maravilhosa.
- Ela era inteligente, não resta dúvida.
- Sim, ela tinha uma ótima personalidade. Ela era completamente encanada fora da cama, mas, quando chegava na cama, ela era completamente desencanada. É o equilíbrio perfeito.
- Sei. Ela podia ser legal, engraçada, inteligente e maravilhosa...
- Exato.
- Dois dias por mês. Nos outros 28, ela ficava perdida.
- Mas que dois dias! Acredite!”.

(Do filme: Stardust Memories, Woody Allen)

domingo, 3 de outubro de 2010

mas quase sempre as esperanças são dos desesperados


“Eram esperanças muito remotas, nascidas do desespero, mas quase sempre as esperanças são dos desesperados”.

(Antes que anoiteça, Reinaldo Arenas, Ed. Best Bolso, p. 195)

Eu diria que você tem um quê de perdida


“- E como eu lembro a Dorrie?
- Como? Bem, vocês duas são sedutoras e atraentes... Faça-me parar antes de ficar nauseante. E, sabe, são lindas e têm... Não é um quê de trágicas, não é isso... Mas vocês parecem que estão meio perdidas.
- Sério?
- Um pouco, sim. Um quê de... Eu nem te conheço o suficiente para dizer isto, mas... Eu diria que você tem um quê de perdida”.

(Do filme: Stardust Memories, Woody Allen)

sábado, 2 de outubro de 2010

Caso algum dia ela resolvesse voltar


"Imóvel, como um imóvel, como uma casa, algo que você não arranca do chão e leva por aí, no bolso, na mala, na mochila. Uma estrutura construída sobre a terra, pesada, vedada, protegida das intempéries, preparada para o frio extremo e para o calor extremo, capaz de fechar portas e janelas ao vento, capaz de fechar cortinas aos olhos dos passantes.
Caso algum dia ela resolvesse voltar.
E cada dia que ela não resolvia voltar se somava ao anterior como um calendário que você vai compondo, ao qual se acrescentam folhas, e de repente ele pegou aquilo tudo e guardou na caixa de madeira de vinho El Coto de Rioja e colocou no fundo do armário e achou que já não fazia diferença. Ficar, ir embora. Já não era mais uma questão".

(Azul-corvo, Adriana Lisboa, Ed. Rocco, p. 178)

O pacote


"Toda vez que a gente se apaixona, a raiva vem junto no pacote".

(Maria Anita Carneiro Ribeiro, psicanalista - aula de 01/10/10 do mestrado)