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terça-feira, 12 de novembro de 2013

De novo...



O perfil é esse: https://www.facebook.com/profile.php?id=100007048057805

domingo, 17 de junho de 2012

Série: resmungos de uma blogueira (3)


Outra coisinha infame é chamada de: visitantes recentes.
Nessa neura toda que já temos, de que deixaremos rastros indeléveis pela web (ou de que o google nos persegue) por que raios temos de ter nossa fotinho aparecendo pelos blogs que passamos? Qual é a vantagem do dono do blog nisso?
Seria ele membro da CIA, KGB,  DGSE, NSA, BOPE?

Série: resmungos de uma blogueira (2)


Verificação de letras

Mais uma de minhas ojerizas. A gente já conta os minutinhos que tem sobrando para visitar os blogs alheios. Então quando vai comentar... Aparece aquele negócio besta que é a "verificação de letras".
Sei que ele serve para evitar spam. Sei que tem gente sem noção que posta a mesma coisa para cem pessoas. Sobretudo, sei que "decifrar hieróglifos" é muito chato!
É mais simples o blogueiro ter a gentileza de apagar seus spams (ou os comentários com cunho agressivo, afinal, a blogosfera não é terra de ninguém) do que os seus leitores terem o imenso trabalho de digitar letrinhas emaranhadas.

quarta-feira, 14 de março de 2012

a dimensão narcísica que nele predomina avassaladoramente

"Don Juan não tem memória, porque a memória supõe um respeito pelo outro, uma possibilidade de ser afetado por ele, que em nada condiz com a dimensão narcísica que nele predomina avassaladoramente. Entretanto, por que esta busca incessante de si próprio precisa passar pela conquista das mulheres?  Por que estas se deixam seduzir? Talvez a resposta às duas perguntas seja uma só. Pois, se o que caracteriza o desejo de Don Juan não é a vontade de poder, é certo que este desejo vem carregado de uma paixão de tal forma abrasadora, que transfigura o próprio alvo dela. O narcisismo tem a propriedade de idealizar seus objetos, de neles projetar uma luz que os faz aparecer como perfeitos, à própria imagem do ideal de perfeição que sustenta a vibração narcísica. E Don Juan faz ressoar nas mulheres de quem se aproxima esta nota narcísica, embelezando todas as que lhe passam pela frente, vendo em cada uma delas algo que a torna desejável em grau supremo: a grandona se torna “majestosa”, a gorducha é magnífica nas noites de inverno, a velhota exala uma grande doçura... Seu desejo as enobrece, e daí nasce o efeito sedutor, na precisa formulação de Kierkegaard, porque este desejo as torna diferentes do que eram, até um momento atrás, a seus próprios olhos. O jogo da sedução se enraíza assim numa reduplicação do narcisismo, tanto do agente quanto do objeto seduzido. E o efeito transfigurador da idealização não termina com a ferida narcísica do abandono: o momento passageiro em que cada uma delas foi para Don Juan a mulher absoluta, a encarnação do eterno feminino, parece bastar para que nela algo de muito profundo seja modificado, algo que o psicanalista situaria na esfera das identificações". (pp. 94-95)

(MEZAN, Renato. Mille e quattro, mille e cinque, mille e sei - novas espirais da sedução. In: DAVID, Renato Janine Ribeiro (org.). A sedução e suas máscaras - ensaios sobre Don Juan. São Paulo: Companhia das Letras: 1988.)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração - Caio F.

"(...) Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano REAL: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto & aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e que também ficaria em silêncio. (...) Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo dizer me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa?".

(Caio F. em carta para Juliana Cantore, 20/05/83 - Caio Fernando Abreu, Cartas, Ed. Aeroplano, organizado por Italo Moriconi)

Ouçam

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nunca leio e-mails coletivos, mas este...

Jantares inteligentes

Por Luiz Felipe Pondé

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> VOCÊ JÁ foi a um jantar inteligente? Jantares inteligentes são frequentados por psicanalistas, artistas plásticos, músicos, atores, jornalistas, publicitários (com a condição de falar mal da publicidade), médicos (esses porque, como é sempre chique ser médico, não se dispensa médicos nunca), produtores, "videomakers", antropólogos, sociólogos, historiadores, filósofos.
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> Administrador de empresa não pega bem (a menos que tenha um negócio sustentável). Engenheiros, coitados, só vão se forem casados com psicanalistas que traduzem pra eles esse mundo de gente inteligente. Advogados podem ir porque é sempre necessário um cínico inteligente em qualquer lugar. Pedagogas, só se casadas com esses advogados e por isso talvez consigam bancar amizades chiques assim.
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> Ricos são sempre bem-vindos apesar de gente inteligente fingir que não gosta de dinheiro. Pobre só se for na cozinha, mas são super bem tratados. Claro, tem que ter um amigo gay feliz.
> Essa gente é descoladíssima. Seus filhos estudam em escolas de esquerda, claro, do tipo que discute o modelo cubano de economia a R$ 2 mil por mês.
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> Quando viajam ficam em lugares que reúne natureza "pura", tradição (apenas como "tempero do ambiente") e pouca gente (apesar de jurarem ser a favor da democracia para todos, só gostam de passar férias onde o "povo" não vai).
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> Detalhe: é essencial achar todo mundo "ridículo" porque isso faz você se sentir mais inteligente, claro.
> Quanto à religião, católica nem pensar. Evangélicos, um horror. Espírita? Coisa de classe média baixa. Budista, cai muito bem. Judaica? Uma mãe judia deixa qualquer um chique de matar de inveja. Judaísmo não é religião, é grife.
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> Mas o que me encanta mesmo são as "atitudes" que se deve ter para se frequentar jantares inteligentes assim. Claro, não se aceita qualquer um num jantar no qual papo cabeça é o antepasto.
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> Quer saber a lista de preconceitos que pessoas inteligentes têm? Qualquer um desses "gestos" abaixo você pode ter, que pega bem com comida vietnamita ou peruana.
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> 1) A Igreja Católica é um horror e o papa Bento 16 é atrasadíssimo. Claro que não vale ter lido de fato nada do que ele escreveu;
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> 2) Matar Osama bin Laden sem julgamento foi um ato de violência porque terroristas são pessoas boazinhas que querem negociar a paz em meio a criancinhas;
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> 3) Ter ciúmes é coisa de gente mal resolvida;
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> 4) Se algum dia um gay lhe cantar e você se sentir mal com isso, você precisa rever seus conceitos porque gente inteligente nunca tem mal-estar com coisas assim;
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> 5) Se seu filho for mal na escola, minta. Se alguém descobrir, ponha a culpa na professora, que é mal preparada pra lidar com crianças como seus filhos, que se preocupam com as baleias já aos 11 anos e discutem a África no Twitter;
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> 6) Caso leve seus filhos à Disney, não conte a ninguém, pelo amor de Deus!;
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> 7) Acima de tudo, abomine os Estados Unidos, ache Obama ótimo e vá à Nova York porque Nova York "não são os Estados Unidos";
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> 8) Não seja muito simpático com ninguém porque gente simpática é gente carente e gente assim procura "eye contact" em festas. Um conselho: olhe sempre para um ponto no horizonte. Assim, se alguém falar com você, ela é que é carente;
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> 9) Ache uma situação para dizer que você conhece uma cidadezinha no sul da Itália e lá ficou hospedado na casa de uma amiga brasileira casada com um italiano que defende o direito dos imigrantes africanos e odeia Silvio Berlusconi;
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> 10) O ideal seria se você tivesse passaporte italiano também;
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> 11) Se alguém falar pra você que não dá para pagar direitos sociais e médicos para imigrantes ilegais na Europa, considere essa pessoa um "reacionário de direita", mesmo que você não aceite sustentar alguém que não seja você mesmo e sua família (no caso da família nem sempre, claro);
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> 12) No conflito israelo-palestino, não tenha dúvida, seja contra Israel, mesmo que morra de medo de ir lá e não tenha lido uma linha sequer sobre a história do conflito;
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> 13) Se você se sentir mal com a legalização do aborto, minta;
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> 14) Deixe transparecer que só os outros transam pouco;
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> 15) Seja ateu, mas blasé.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

dos males incuráveis

"Aliás o amor é um mal incurável como aquelas diáteses em que o reumatismo só dá tréguas para ceder lugar a enxaquecas epileptiformes."

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 5 - A Prisioneira. Tradução de Manuel Bandeira e Lourdes Sousa de Alencar. Ed. Globo, p. 67-68)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nesse (maldito) último mês

"Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais
Nesse último mês".

(Engenheiros do Hawaii in: Eu que não amo você)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Abandono

“- Eu sei.
- Sabe?
- Sim, Jane. Sei.
Não perguntei como e, abruptamente, me despedi. Estou fraca demais para suportar a dor de outra pessoa. Quero me concentrar na minha. O egoísmo dos recém-abandonados. Ninguém sofreu como eu sofri. Tire este sofrimento amargo de mim. Não é para mim este cálice amargo. Maldito seja. Não me obrigue a bebê-lo. Aargh. Pronto, pronto. Já acabou. Até a última gota. Muito bem. Boa garota. Você bebeu até a última gota. É a melhor maneira, creia-me. Todo este negócio de golinhos e de todo mundo segurando a mão. Uma total perda de tempo. Abra a boca. Deixe a lava entrar. Descer pela língua e pela garganta abaixo, arrancando a membrana. Bom, tudo vai soar diferente e ter um gosto diferente. Como deve ser.”

(Josephine Hart in: Abandono. Ed. Record, p. 55)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

distraídas que ficam da necessidade de continuarem as mesmas uma para a outra


"Não sei: é silêncio apenas. Somente a memória fala: porque é certo que as pessoas estão sempre crescendo e se modificando, mas estando próximas uma vai adequando o seu crescimento e a sua modificação ao crescimento e a modificação da outra; mas estando distantes, uma cresce e se modifica num sentido e outra noutro completamente diferente, distraídas que ficam da necessidade de continuarem as mesmas uma para a outra."


(Caio F. in: Inventário do ir-remediável. Ed. Sulinas, p. 107)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

a suave narcose em que a arte nos coloca

Klimt
"Quem é sensível à influência da arte não tem palavras o suficiente para louvá-la como fonte de prazer e consolo para a vida. No entanto, a suave narcose em que a arte nos coloca não é capaz de produzir mais do que uma fugaz libertação das desgraças da vida, e não é forte o bastante para fazer esquecer a miséria real."

(Freud in: O mal-estar na cultura. L&M Pocket, p. 71)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um mantra

"Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui
E com a minha própria lei..."

(Andrea Doria, Legião Urbana)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Notas velhas, cartas de amor, fotografias, recibos

Blue Valentine
"Mesmo uma cômoda entulhada com lembranças,
Notas velhas, cartas de amor, fotografias, recibos,
Deposições judiciais, cachos de cabelo em tranças,
Esconde menos segredos do que o meu cérebro
[poderia produzir.
É como uma tumba, um cemitério de indigentes
[cheio de corpos,
Uma pirâmide onde os mortos deitam-se às
dezenas.
Eu sou um cemitério que a lua abomina."

(Charles Baudelaire)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Acredito em tijolos, e acredito em cacos de tijolo, nas sobras de um tijolo específico destinado a determinado passante que, sem propósito ou querer, acerta os outros à sua volta


"Millôr diz que viver é desenhar sem borracha. Diz também que é como atravessar uma chuva de tijolos: a gente escapa da maioria deles, mas às vezes um acerta um ombro, às vezes pega meio de lado, às vezes parte um joelho. As marcas das tijoladas vão se acumulando, dentro e fora, até aquele tijolo que acerta em cheio. Gosto dessa metáfora. Acredito em tijolos, e acredito em cacos de tijolo, nas sobras de um tijolo específico destinado a determinado passante que, sem propósito ou querer, acerta os outros à sua volta, aquilo que em linguagem de guerra os angloparlantes chamam de collateral damage.
Não estou simpatizando com 2011. A quantidade de tijolos está acima do suportável."
 
(Cora Ronai no Jornal O Globo – 10-02-11)