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sexta-feira, 29 de agosto de 2014
da literatura
Pois é hora de pedir à literatura que se erga, que abandone a passividade, e que volte a ocupar o lugar que, de fato, lhe cabe; que renuncie ao divã e venha se sentar, ela sim, na poltrona do analista. Que volte ao barco de Hemingway, aos delírios de Virginia, ao escritório de Kafka, à cozinha de Adélia, ao balcão de Pessoa. Que volte a viver – e a dar as cartas. E que simplesmente esqueça de nós, intérpretes bem treinados, arrogantes com nossos títulos e nossas referências, interrogadores e investigadores profissionais. E que nós tenhamos a coragem de retomar nosso posto, mais humilde e mais perturbador, de leitores; que tenhamos a humildade, e mais que isso, a ousadia, de deitar no divã, deixando que grandes ficções e grandes poemas nos interpretem, e não o contrário. A nós, enquanto sujeitos, e à realidade que habitamos, ao mundo de que fazemos parte, ao real.
José Castello
terça-feira, 9 de outubro de 2012
que liga o leitor a um livro
"Expor-se: entender que ler é, também, ser lido. Nada se assemelha ao contato silencioso e misterioso, mas intenso, que liga o leitor a um livro. Trata-se de uma experiência íntima, secreta, em que a inteligência e a sensibilidade se expandem, mas também, se apequenam."
(José Castello in: A literatura na poltrona. Ed. Record, p. 25)
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Imagem: Frank Mason
sábado, 6 de outubro de 2012
ficções e mentiras não são a mesma coisa
"Mas é claro que ficções e mentiras não são a mesma coisa. E, no entanto, se as ficções e os poemas não nos invadissem, se não nos agitassem e viessem tumultuar nosso interior, para que mais poderiam servir? Para render direitos autorais? Para enriquecer editores e editoras? Para alimentar a fome da crítica e da imprensa literária? Para a felicidade dos livreiros?"
(José Castello in: A literatura na poltrona. Ed. Record, p. 36)
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
experiência estética é secreta
"A experiência estética é secreta porque é interior; ela é pessoal porque a literatura só toma corpo na mente e nos nervos de cada leitor. Submetido ao impacto de um livro, cada leitor a ele se abre (ou se fecha) e permite (ou recusa) um golpe."
(José Castello in: A literatura na poltrona. Ed. Record, p. 34)
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Imagem: Mónica Pironi
sexta-feira, 22 de junho de 2012
sofre de si
"Você dizia: "Meu filho sofre de si". Sou minha própria doença, sou minha dor, você afirma. E, desanimado, lamentava: "Esse menino só se aquieta quando dorme."
(José Castello in: Ribamar. Ed. Bertrand, p. 107)
(José Castello in: Ribamar. Ed. Bertrand, p. 107)
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Cada um lê com o que têm, lê com o que é, lê como pode
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| Jean-François Martin |
(José Castello in: A literatura na poltrona. Ed. Record, p. 37)
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Não é fácil ler um grande livro, mas é inesquecível
"A leitura de um grande livro mexe com o que temos de mais instável e mais de mais sensível, pois joga com o inacessível e o remoto. Não é fácil ler um grande livro, mas é inesquecível. Que a literatura volte para a poltrona! E que, expostos à sua força, nos sobre coragem para suportar, mas também sorver, a grande devastação."
(José Castello in: A literatura na poltrona. Ed. Record, p. 38)
(José Castello in: A literatura na poltrona. Ed. Record, p. 38)
domingo, 1 de janeiro de 2012
A poesia parte de algo que te surpreende, que te espanta - Ferreira Gullar
*De que nasce sua poesia hoje?
GULLAR: Minha poesia, hoje, nasce do espanto. Poesia não é uma coisa que se decide fazer. A poesia parte de lago que te surpreende, que te espanta e que o leva a escrever o poema. A poesia para mim é uma aventura em que o acaso e o inesperado determinam o processo. Através dos versos, faço uma descoberta da realidade e do mundo. Depois de "Na vertigem do dia", a poesia se torna uma coisa que se constrói aleatoriamente. Entro em outro estado, em uma indagação fundamental, entro em um jogo que não tem finalidade e não sei onde vou chegar.
(...)
*Como fica o conflito entre a ordem e a desordem?
GULLAR: A linguagem é uma ordem, é um sistema. Fora da linguagem, só há desordem. Como expressar, então, o que está fora do sistema? Como captar essa desordem? A linguagem só diz o que a linguagem diz. O que está fora dela não entra. Então, fica o não dito pelo dito. Fica um pensamento daquele mundo, que não tem nada a ver com a realidade. Um pensamento que se passa à margem da realidade. Mas é a minha vida, é ali que sou Ferreira Gullar. É ali que indago o fundamental.
*O que é ser um poeta?
GULLAR: Com o poema, eu levo às pessoas algo que só eu posso lhes dar. O poeta só traz alguma coisa quando a descobre, ou a inventa. Não acredito que a literatura revela a realidade, acho que ela inventa a realidade. O poema faz algo que representa aquilo, mas não é aquilo. Um mistério que tem algo a ver com a vida real, mas não é a vida real."
(José Castello entrevista Ferreira Gullar. Prosa&Verso, p. 3. 28/08/2010)
GULLAR: Minha poesia, hoje, nasce do espanto. Poesia não é uma coisa que se decide fazer. A poesia parte de lago que te surpreende, que te espanta e que o leva a escrever o poema. A poesia para mim é uma aventura em que o acaso e o inesperado determinam o processo. Através dos versos, faço uma descoberta da realidade e do mundo. Depois de "Na vertigem do dia", a poesia se torna uma coisa que se constrói aleatoriamente. Entro em outro estado, em uma indagação fundamental, entro em um jogo que não tem finalidade e não sei onde vou chegar.
(...)
*Como fica o conflito entre a ordem e a desordem?
GULLAR: A linguagem é uma ordem, é um sistema. Fora da linguagem, só há desordem. Como expressar, então, o que está fora do sistema? Como captar essa desordem? A linguagem só diz o que a linguagem diz. O que está fora dela não entra. Então, fica o não dito pelo dito. Fica um pensamento daquele mundo, que não tem nada a ver com a realidade. Um pensamento que se passa à margem da realidade. Mas é a minha vida, é ali que sou Ferreira Gullar. É ali que indago o fundamental.
*O que é ser um poeta?
GULLAR: Com o poema, eu levo às pessoas algo que só eu posso lhes dar. O poeta só traz alguma coisa quando a descobre, ou a inventa. Não acredito que a literatura revela a realidade, acho que ela inventa a realidade. O poema faz algo que representa aquilo, mas não é aquilo. Um mistério que tem algo a ver com a vida real, mas não é a vida real."
(José Castello entrevista Ferreira Gullar. Prosa&Verso, p. 3. 28/08/2010)
sábado, 10 de dezembro de 2011
Imenso sol com grades, onde insistimos em viver - José Castello
![]() |
| A insustentável leveza do ser |
(José Castello in: Um sol com grades. 10-12-11, Jornal O Globo, Caderno Prosa & Verso, p. 4)
sexta-feira, 29 de julho de 2011
mais do que preencher um labirinto, é o próprio labirinto
“Fugir de si é morrer. Sempre que as crises voltam, relembro-me de sua advertência. A mesma voz, traiçoeira, entre o acolhimento e a opressão. “Recue, ou você não voltará.” Frase que, mais do que preencher um labirinto, é o próprio labirinto.”
(José Castello in: Ribamar. Ed. Bertrand, p. 72)
quinta-feira, 16 de junho de 2011
sono, sonho
“Tomo um tranquilizante, busco uma noite artificial; mas o sonho que me vem é verdadeiro."
(José Castello in: Ribamar. Ed. Bertrand Brasil, p. 29)
(José Castello in: Ribamar. Ed. Bertrand Brasil, p. 29)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
para trás o homem que estava destinado a ser
terça-feira, 19 de abril de 2011
pequenos achados
quarta-feira, 13 de abril de 2011
(...) que precisavam sofrer para criar - sobre Caio F.
“Descendia de uma linha de escritores que precisavam sofrer para criar. Foi ele próprio quem, muitos anos depois, descreveu as coisas assim”
([Sobre Caio F.]José Castello in: Inventário das sombras. Ed. Record, p. 65-66 )
quarta-feira, 23 de março de 2011
Seria isso?
“Ser não é permitir que a vida nos atravesse e agite?”
(José Castello in: Ribamar. Ed. Bertrand Brasil, p. 66)
sábado, 19 de março de 2011
A hora mais importante é agora
“(...) É a história de um czar que promete uma grande recompensa a quem lhe responder três perguntas. Como saber a hora certa de cada coisa? Como saber quais são as pessoas mais necessárias? Como não se enganar ao julgar, entre todas as coisas, qual a mais importante? Ninguém lhe dá respostas convincentes. (...) “A hora mais importante é agora”, o eremita resume. O homem mais importante é aquele com quem estamos no momento. A coisa mais importante a fazer é a coisa que o momento nos pede – e não pensar sobre isso.”
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
seu isolamento trágico do mundo
“A solidão de Nelson Rodrigues, seu isolamento trágico do mundo que nos cercava me escaparam, e agora, que era tarde demais para um repórter, voltavam como um susto.”
(José Castello in: Inventário das sombras. Ed. Record, p.141 )
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Mentira dos relógios e dos cronômetros: o tempo não é lógico.
"Não, o tempo não avança em linha reta. Mentira dos relógios e dos cronômetros: o tempo não é lógico.
(...) O relógio se esforça em deter o que não se detém. Enquanto isso, o romance de Barrie mostra como é precário nosso desejo de estabilidade. A ficção demonstra que habitamos, ao mesmo tempo, vários mundos. O que pode um relógio contra a vida?
(...) À noite, nas florestas escuras, os pastores sofrem de medos súbitos, fogem de fantasmas, sentem calafrios. Ficções malignas desestabilizam seu presente. "Peter Pan" nos leva a ver, contudo, que o sonho pode persistir sem que se transforme em pesadelo. Muitos adultos sufocam a fantasia, outros a matam. A luta do herói de Barrie para preservá-la não fala do medo, mas da esperança. De alguma forma, "Peter Pan" sobreviveu em José Saramago. Quando, preparando-se para a morte, ele deu as mãos ao menino que foi, a sombra de Peter Pan sobre ele se derramava."
(José Castello in: Peter Pan em Lanzarote. 12-02-11, Jornal o Globo, Caderno Prosa & Verso, p. 4)
(...) O relógio se esforça em deter o que não se detém. Enquanto isso, o romance de Barrie mostra como é precário nosso desejo de estabilidade. A ficção demonstra que habitamos, ao mesmo tempo, vários mundos. O que pode um relógio contra a vida?
(...) À noite, nas florestas escuras, os pastores sofrem de medos súbitos, fogem de fantasmas, sentem calafrios. Ficções malignas desestabilizam seu presente. "Peter Pan" nos leva a ver, contudo, que o sonho pode persistir sem que se transforme em pesadelo. Muitos adultos sufocam a fantasia, outros a matam. A luta do herói de Barrie para preservá-la não fala do medo, mas da esperança. De alguma forma, "Peter Pan" sobreviveu em José Saramago. Quando, preparando-se para a morte, ele deu as mãos ao menino que foi, a sombra de Peter Pan sobre ele se derramava."
(José Castello in: Peter Pan em Lanzarote. 12-02-11, Jornal o Globo, Caderno Prosa & Verso, p. 4)
domingo, 30 de janeiro de 2011
Oficina com José Castello e Maria Helena Lembruger (Lavoura Arcaica)
O crítico e colunista do Prosa & Verso José Castello e a psicanalista Maria Helena Lembruger participarão da oficina literária "Extremos", no Espaço Sesc, em Copacabana, entre 14 e 17 de fevereiro. Eles vão ler em voz alta o livro "Lavoura Arcaica", de Raduan Nassar, e estimular o público a fazer comentários e relatar sentimentos provocados pela obra. A oficina é gratuita e acontece das 19h às 22h. Mais informações no fone: (21) 2547-0156.
Fonte: Prosa & Verso (O Globo).
Fonte: Prosa & Verso (O Globo).
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Raduan Nassar
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Escrevam muito - Clarice Lispector
“Talvez Clarice estivesse certa: ler é, provavelmente, a maneira mais intensa de escrever.”
(José Castello in: Inventário das sombras. Ed. Record, p.32 )
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