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quarta-feira, 20 de abril de 2011

não sou eu nem sou o outro

"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro".

(Mário de Sá-Carneiro)

sábado, 12 de junho de 2010

O amor não poupa ninguém


"Raul era um homem, um artista para mais; uma natureza sensível portanto. O que lhe sucedera, era fatal. O amor não poupa ninguém. As melhores intenções de o desprezar são inúteis: alfim, lá faz ele sentir as suas influências. No romance da vida de um homem - como em todos os romances - aparece sempre uma mulher, aparece sempre o amor".

(Loucura, Mário de Sá-Carneiro, p. 27)

Ora, ora, ora


"Raul era dotado de um bizarro caráter: ora alegre, ora triste; ora falador - sem poder estar um minuto calado - ora conservando-se longo tempo silencioso, imerso em profunda meditação. Por coisas insignificantes, assaltavam-no às vezes terríveis cóleras: lembro-me de que um dia, só por não querer adotar uma opinião sua, me atirou com um insulto obsceno, acompanhado de um pesado tinteiro de vidro que, se me acertasse, podia muito bem dar cabo de mim. Mas as suas cóleras logo abrandavam; a chorar, pedia perdão. Eu perdoava-lhe sempre..."

(Loucura, Mário de Sá-Carneiro)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Banalidade feliz


"Eis que o meu pasmo se desfez, pensando melhor. Somente - confesso - experimentei uma vaga desilusão quando vi o meu amigo descer do seu pedestal de bizzaria para a banalidade. Nessa banalidade, ia ser feliz. Eu alegrava-me por consequência".

(Loucura, Mário de Sá-Carneiro, p. 28)