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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

leão, serpente


"E a ideia de cessação do sofrimento é ainda mais insuportável do que o próprio sofrimento. "O leão de meu amor estremecia frente à serpente do esquecimento".

(Samuel Beckett in Proust. Ed. Cosac & Naif, p. 63)

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terça-feira, 26 de março de 2013

Não há como fugir de ontem porque ontem nos deformou



"Não há como fugir das horas e dos dias. Não há como fugir de ontem porque ontem nos deformou, ou foi por nós deformado. O estado emocional é irrelevante. Sobreveio uma deformação. Ontem não é um marco de estrada ultrapassado, mas um diamante na estrada batida dos anos e irremediavelmente parte de nós, pesado e perigoso. Não estamos meramente mais cansados por causa de ontem, somos outros, não mais o que éramos antes da calamidade de ontem. Calamitoso dia, mas calamitoso não necessariamente por seu conteúdo. A boa ou má disposição do objeto não tem nem realidade nem significado. Os prazeres imediatos do corpo e da inteligência não são mais do que malformações de superfície."

(Samuel Beckett in Proust. Ed. Cosac & Naif, p. 9)

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

moto-perpétuo de nossas desilusões está sujeito a maior variedade

"E possivelmente o moto-perpétuo de nossas desilusões está sujeito a maior variedade. As aspirações de ontem foram válidas para o eu o de ontem,não de hoje. Ficamos desapontados com a nulidade do que nos apraz chamar de realização. Mas o que é a realização? A identificação do sujeito com o objeto de seu desejo. O sujeito morreu - quem sabe muitas vezes - pelo caminho. Que o sujeito B fique desapontado com a banalidade de um objeto escolhido pelo sujeito A é tão ilógico quanto esperar que nossa fome se dissipe com o espetáculo de titia tomando sua sopa. Mesmo supondo que, por um desses raros milagre de coincidência, quando o calendário dos fatos corre paralelo ao calendário dos sentimentos, a realização tenha-se dado, que o objeto do desejo (no sentido estrito dessa doença) tenha sido conquistada pelo sujeito, neste caso a congruência é tão perfeita, o estado-do-tempo da aspiração que o real parece o inevitável e (todo esforço intelectual consciente de reconstituir o invisível e o impensável como uma realidade sendo em vão) tornamo-nos incapazes de apreciar nosso contentamento, comparando-o com nosso pesar. A memória voluntária. Proust o repete ad nauseam, não tem valor como instrumento de evocação e provê uma imagem tão distante do real quanto o mito de nossa imaginação ou a caricatura fornecida pela percepção direta. Não há mais do que uma impressão real e um modo adequado e evocação. Tal realidade e tal modo serão discutidos em seu devido lugar."

(Samuel Beckett in Proust. Ed. Cosac & Naif, p. 12-13)

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terça-feira, 14 de agosto de 2012

esse monstro de duas cabeças: o Tempo

"A equação proustiana nunca é simples. O desconhecido, escolhendo suas armas de um manancial de valores, é também incognoscível. E a qualidade de sua ação fica sob duas rubricas. Em Proust, cada lança pode ser uma lança de Télefo. Este dualismo na multiplicidade será examinado em detalhe com relação ao "perspectivismo" proustiano. Para os propósitos desta síntese, convém adotar a cronologia interna da demonstração proustiana, examinando em primeiro lugar esse monstro de duas cabeças, danação e salvação - o Tempo."

(Samuel Beckett in Proust. Ed. Cosac & Naif, p. 9)

Imagem: The Guardian

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

desta vez prestarei atenção

"É verdade que talvez já tenham me dito cem vezes.
Pois bem, só tem de me dizer a centésima primeira, desta vez prestarei atenção". 

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 57)

domingo, 8 de janeiro de 2012

adiante

"Ir adiante, chamo isso de adiante, sempre fui adiante, senão em linha reta, pelo menos segundo a figura estipulada para mim. Não houve lugar na minha vida para outra coisa."
 
(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 66)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

do ex-quecimento

"Mas é possível esquecê-lo? É verdade que se esquece tudo."

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 133)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

males ridículos, dores descabidas

"Durante as suas ausências, eu tentava me recompor, esquecer o que ele tinha me dito, sobre mim, sobre meus males, males ridículos, dores descabidas, frente à minha verdadeira situação, palavra detestável."

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 52)

sábado, 15 de outubro de 2011

não se sabe por quê, não se sabe de nada


 "As lágrimas dele jorram quase sem parar, não se sabe por quê, não se sabe de nada, se é de raiva, se é de tristeza, é assim, talvez seja a voz que o faz chorar, de raiva, ou de uma outra paixão qualquer, ou de ter que ver, de tempos em tempos, alguma coisa, talvez seja isso, talvez ele chore para não ver, embora pareça difícil atribuir-lhe uma iniciativa dessa magnitude."

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 162)

domingo, 9 de outubro de 2011

e a gentileza?

"(...) estou cansado demais para ser gentil".

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 162)

domingo, 25 de setembro de 2011

talvez...

"(...) será o silêncio, talvez seja uma queda...".

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 182)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

É que tenho o espírito em outro lugar

"Para dizer a verdade, sejamos ao menos francos, já faz um bom tempo que não sei mais o que digo. É que tenho o espírito em outro lugar. Eis-me desculpado. A partir do momento em que se tem o espírito em alguma parte, tudo é permitido."

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 69)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Como se houvesse um sentido, seja qual for

"Só tenho de continuar, como se houvesse algo a fazer, algo a começar, algum lugar aonde ir. Tudo se reduz a uma questão de palavras, é preciso não esquecer, eu não esqueci."

(Samuel Beckett in: O inominável. Ed. Globo, p. 85)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

qualquer coisa


“E quando me surpreendia a chorar sem causa aparente, é que tinha visto qualquer coisa, sem prestar atenção”.

(Samuel Beckett in: Primeiro Amor, p. 48, Ed. Nova Fronteira)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mas eu me importo com as pessoas! - Beckett

"O engraçado foi quando um acadêmico americano falou de Beckett: "Ele não está nem aí para as pessoas. Ele é um artista.". Aí Beckett levantou a voz no meio do alvoroço do chá da tarde e gritou: "Mas eu me importo com as pessoas! Eu me importo!"

(James e Elizabeth Knowlson (org.), in: Beckett Remembering: Remembering Beckett)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Talvez, quem sabe - Beckett II


Imagem: Vena Cavas
“As coisas talvez tenham se passado de maneira diferente, mas que importa a maneira pela qual as coisas se passam, desde que se passem?”

(Primeiro Amor, Samuel Beckett, p. 22, Ed. Nova Fronteira)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mas de que amor se tratava, exatamente?



“O amor nos torna maus, é coisa certa. Mas de que amor se tratava, exatamente? De amor-paixão? Não creio. Pois o amor-paixão é satiríaco, não é mesmo? Ou será que confundo com outra variedade? Há tantas, não é? Cada qual mais bonita, não é? O amor platônico, por exemplo, eis de uma outra de que me lembro neste instante. É desinteressado. Será que eu a amava de um amor platônico? É difícil acreditar nisso”.

(Primeiro Amor, Samuel Beckett, p. 40-42, Ed. Nova Fronteira)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

talvez, quem sabe - Beckett


“Agora já não acredito mais. Ter-me-iam sido necessários amores, talvez. Mas o amor, isso não se tem quando se quer”.

(Primeiro Amor, Samuel Beckett, p.84, Ed. Nova Fronteira)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

nomes, apenas


“O que chamam de amor é o exílio, com um cartão postal da terra de vez em quando, eis meu sentimento aquela noite”.

(Primeiro Amor, Samuel Beckett, p. 30, Ed. Nova Fronteira)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lendo hoje


"(...) no silêncio você não sabe, você deve continuar, eu não posso continuar, eu continuarei".

(O Inominável, Samuel Beckett)