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domingo, 10 de janeiro de 2016

e se

“E, se um homem pode dormir salgado de mar e pela manhã se descobrir guardador de rebanho, e se um outro acordou inseto na mente de um escritor, e se dos desenhos de uma pintora floresceu um abaporu, e se numa tela imóvel irromperam formigas e um cão andaluz, e se campos e ramos e rosas pariram territórios imaginários, tu podes amanhecer tristeza, entardecer esperança e anoitecer sol.”

João Anzanello Carrascoza in: Caderno de um ausente. Cosac Naify

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

o tempo, sempre ele

"(...) eu ia te ensinar por que de não em não o tempo se sacia de nós, o tempo nos nega os desejos e nos avilta os sonhos, por que não existe a terra prometida senão em nós, e por que ela está cercada de continentes barrentos e istmos movediços...”

João Carrascoza in: Caderno de um ausente. Cosac Naify, p. 36

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

da noite

.. pois há pessoas que mal amanhecem entre nós, logo anoitecem.

João Carrascoza in: Caderno de um ausente. Cosac Naify, p. 75.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

do mutismo

As palavras têm coragem de mostrar o rosto sorridente enquanto o mutismo lhes rasga as costas a chicotadas...


João Carrascoza in: Caderno de um ausente. Cosac Naify, p. 108.