
"- Você disse que não gosta de Miami.
- Mas eu gosto de você.
- Lá eu não tenho tempo pra te dar atenção, ainda mais agora...
- Abre o jogo, você está com alguém por lá!
- Não é bem assim...
- Fala!
- Eu tenho a minha vida.
- E essa sua vida envolve mais alguém.
Ele não respondeu à minha afirmativa. Nem precisou. Levantei, falei que ia ao toalete e saí do restaurante pela lateral. Não olhei para trás. Peguei um táxi e fui para casa. Quando entrei, o telefone tocava insistentemente, deixei a secretária atender...
Era Don Juan, e eu não era a mulher ideal.(...) Não apareci mais no restaurante.
Quase morri de amor. Passei meses chorando de saudade. Doeu.(...) Don Juan só conseguiu me localizar uns três anos depois. Viu meu nome nos créditos da revista e ligou. É claro que eu tive um enorme desejo de ir correndo ao seu encontro. Eu ainda nem intuia o porquê, mas segurei o impulso e disse que estava casada e quem sabe um dia... Não consegui encontrar nenhum motivo terreno para justificar minha atitude; eu já tinha vivido todo o tipo de situação... fui traída, traí, sofri calada, dei vexame, ganhei e perdi batalhas amorosas,
mas com Don Juan, optei por simplesmente me retirar. Pressenti que nós dois não podíamos...".
(Conto Don Juan de A Amadora, Ana Ferreira, p. 21)