"Eu era feliz e não sabia".
Não gosto dessa frase porque contém uma cota de lamentação. E acho que a gente nunca deveria lamentar nada, em particular as próprias decisões. Acredito que, no fundo, a gente quase sempre toma a única decisão que poderia tomar naquelas circunstâncias. Então, não vale a pena lamentar o passado. Mas é verdade que existe isso.
(Contardo Calligaris)
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sábado, 22 de agosto de 2015
terça-feira, 9 de agosto de 2011
que poderia se chamar de Distanciar-se
" 1- O sujeito apaixonado pode escrever um livro sobre o amor. Ele escolhe então aparentemente um exílio a si mesmo como amante, renega o amor para descrevê-lo. Parece abandonar a literatura para praticar a crítica, na ilusão de que isso o cure melhor do amor. Ele pretende ignorar que ele pratica assim uma figura clássica do discurso amoroso, que poderia se chamar de Distanciar-se."
(Calligaris, Contardo. Fragmentos de um discurso amoroso. In: O amor na literatura. Vários autores. Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, p. 118-119)
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
o sujeito apaixonado pode querer se curar do amor escrevendo a história do seu amor.
"ESCREVER: o sujeito apaixonado pode querer se curar do amor escrevendo a história do seu amor. Isso, aliás, significa que vivendo o seu amor, ele se consola e se cura, pois o amor que vive já está necessariamente escrito, já faz parte da literatura. Escrever a história do próprio amor não é diferente de amar, mesmo sem escrever."
(Calligaris, Contardo. Fragmentos de um discurso amoroso. In: O amor na literatura. Vários autores. Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, p. 118)
(Calligaris, Contardo. Fragmentos de um discurso amoroso. In: O amor na literatura. Vários autores. Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, p. 118)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
me pareceu idiota
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Com seus altos e baixos, imagine nossa vida como uma breve passagem por um circuito de montanhas- russas

"Das várias formas possíveis de infelicidade, me parece mais aflitiva não é necessariamente a que mais dói. Muito mais trágico me parece o destino de quem atravessa a vida sem se molhar, como se os efeitos (felizes ou nefastos) escorressem sobre a pele como água sobre as plumas de um pato. Com seus altos e baixos, imagine nossa vida como uma breve passagem por um circuito de montanhas- russas. Quem atravessasse a experiência anestesiado, sem gritos, pavor e risos, teria jogado fora o dinheiro do bilhete. Tenho a ambição, ao contrário, de ajudar meus pacientes a viver de tal forma que, chegando o fim, eles possam dizer-se que a corrida foi boa".
(Cartas a um jovem terapeuta, Contardo Calligaris, p. 152)
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Lado B

"Os homens tem sempre uma vida dupla. Eles tem sempre um lado B. É por isso que eles são sempre mais distantes da vida concreta do que as mulheres. As mulheres tem uma relação com o aqui e o agora que lhes permite lidar com uma série de situações diante das quais o homem é muito mais incapacitado porque ele tem uma presença constante do lado B. E não é só o lado B sexual, o lado B de qualquer coisa, o lado B do devaneio do que ele poderia ter sido, vir-a-ser, ou simplesmente ser. Se as mulheres soubessem o que se passa na cabeça de um homem, inclusive no momento em que ele está transando com ela, eu acho que elas levantariam da cama ultrajadas".
(Contardo Calligaris)
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