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quinta-feira, 17 de março de 2011

Só depois é que veio o delírio do verbo. (Manoel de Barros)



"No começo era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança
diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona.
para cor, mas para o som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

(Manoel de Barros in: O livro das ignorãnças)

P.S.: Para Andressa, que ama os passarinhos.

sábado, 12 de março de 2011

O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê


“A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas.
Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.”

(Manoel de Barros in: Livro sobre nada. Ed. Record, p. 75)