Há algo de apavorante em ser tão pessoal e tão pública. Por instinto de preservação ou maneirismo, ela teme tornar-se demasiado visível. Cada vez mais refugia-se no enigma. Das mentiras, dos romances. Dirão que ela complica por gosto. Sim, sem dúvida é o que deseja. Na maior parte do tempo, vão atrás dela cegamente. Sem tentar compreender. A arte deslumbra. Ela escreve. Ela foge. Cada livro é uma escapada. Ele vive, no lugar dela, sua história maldita, proibida. Ele a torna suportável.
Frédérique Lebelley in: Marguerite Duras - uma vida por escrito. Ed. Scritta, p. 148.
Mostrando postagens com marcador Marguerite Duras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marguerite Duras. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 17 de junho de 2016
quinta-feira, 16 de junho de 2016
de Lol V. Stein
Frequentemente, pouca coisa basta - um certo olhar, um certo riso, jovial, espontâneo - para inspirar a Duras um personagem que, em seguida, se impõe a ela, soberano e indestrutível. Dessa vez, trata-se de uma jovem doente que ela teve de acolher em sua casa, por um dia, e que, à noite, mandou de volta ao asilo. "Eu a conheci durante um dia inteiro", disse Duras, como se tivesse dito: a vida inteira. Não tornara a vê-la. Mas desse breve período vai nascer Lol V. Stein, esse personagem de nome estranho "que não nomeia", oco, trespassado no centro por um furo. Durante doze anos ela habitará toda a obra de Marguerite Duras.
Frédérique Lebelley in: Marguerite Duras - uma vida por escrito. Ed. Scritta, p. 162.
Frédérique Lebelley in: Marguerite Duras - uma vida por escrito. Ed. Scritta, p. 162.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
da escrita
E Duras, aniquilada por esses profundos transtornos, entrega-se à psicanálise. Chega até mesmo a se perguntar sobre o sentido dos livros. Deve continuar? O médico ouve, lê seus escritos e interrompe as sessões: "A senhora não tem nada o que fazer aqui. A solução para a senhora é escrever".
Frédérique Lebelley in: Marguerite Duras - uma vida por escrito. Ed. Scritta, p. 162.
Frédérique Lebelley in: Marguerite Duras - uma vida por escrito. Ed. Scritta, p. 162.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
disponibilidade distante
Marguerite é de uma disponibilidade distante, talvez altiva mas sem desprezo. Exatamente com aquele olhar que não consegue não ser de uma zombaria impiedosa. O homem compreende que a conquistará, mas a preço de sofrimento.
Frédérique Lebelley in: Marguerite Duras - uma vida por escrito.
Frédérique Lebelley in: Marguerite Duras - uma vida por escrito.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Sem fuga
"- Não há férias no amor. - disse. - Isso não existe. O amor, é preciso vivê-lo, completamente com o seu tédio e tudo mais. Não há férias possíveis nesse caso.
Falava sem encará-la, virado para o rio.
- E isso é o amor. Não se pode fugir a ele. Como à vida, com sua beleza, sua porcaria e seu tédio."
(Marguerite Duras in: Os pequenos cavalos de Tarquínia. Ed. Guanabara, p. 239)
Imagem: L' eclisse
http://vemcaluisa.blogspot.com.br/
Falava sem encará-la, virado para o rio.
- E isso é o amor. Não se pode fugir a ele. Como à vida, com sua beleza, sua porcaria e seu tédio."
(Marguerite Duras in: Os pequenos cavalos de Tarquínia. Ed. Guanabara, p. 239)
Imagem: L' eclisse
http://vemcaluisa.blogspot.com.br/
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
do inútil
"- Tente nadar de costas - disse.
- Já tentei umas cem vezes, é inútil, há coisas que não dá.
- Mesmo assim, tente, quero que você aprenda.
- Há coisas que a gente não aprende nunca, é inútil."
(Marguerite Duras in: Os pequenos cavalos de Tarquínia. Ed. Guanabara, p. 194)
Imagem: Edward Steichen
www.vemcaluisa.blogspot.com.br
sábado, 16 de novembro de 2013
mais que reviver, narrar é reinventar
A memória (...) faz crer que narrar é recordar. A presentificação de momentos do passado aprofunda essa concepção, demonstrando que, mais que recordar, narrar é reviver. Todavia, a memória não é pura. Elementos ficcionais recriam as lembranças, e o passado evocado e revivido banha-se na imaginação. Mais que recordar, portanto, mais que reviver, narrar é reinventar.
Andréa Correa Paraiso in: Marguerite Duras e os possíveis da escritura: a incansável busca. Ed. Unesp, p. 137.
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
Andréa Correa Paraiso in: Marguerite Duras e os possíveis da escritura: a incansável busca. Ed. Unesp, p. 137.
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
tanta
"Desde o começo de minha vida, eu não tive tanta fome, nem tanta sede, nem tanta vontade de uma mulher."
(Marguerite Duras in: Barragem contra o pacífico. Ed. ARX, p. 265)
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
https://www.facebook.com/vencaluisa
terça-feira, 10 de setembro de 2013
do olhar
"De mãos nos quadris, olha como não olha a ninguém mais, como olham as mães e também as amantes, o objeto do seu amor e da sua inquietação."
(Marguerite Duras in: Dias inteiros nas árvores. Ed. Guanabara, p. 122)
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
(Marguerite Duras in: Dias inteiros nas árvores. Ed. Guanabara, p. 122)
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
a não ser da arte
"Assim aquele encontro, insensivelmente, cessava para o homem de ser um evento do seu espírito e tendia a tornar-se um evento da sua vida. Ele deixara de vê-lo como espectador difícil que exige a perfeição, pois não se pode esperar tal perfeição a não ser da arte."
(Marguerite Duras in: Dias inteiros nas árvores. Ed. Guanabara, p. 140)
Imagem: Alex Mazurov
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
do esquecimento
"A espera se torna fixa. (...) A paz: noite profunda. Será também o começo do esquecimento."
(Marguerite Duras in: Cadernos da guerra e outros textos. Ed. Estação Liberdade, p. 205)
Imagem: Yale Joel
http://www.facebook.com/vencaluisa
www.vemcaluisa.blogspot.com
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
A falta de
"- Compreendo.
- É tarde demais - gemia ela.
- Eu não respondia. Ela esperava um minuto, mas nesse caso eu não podia responder.
- Perdi minha vida. - Deixava passar um tempo e acrescentava: ele nunca veio...
Essa falta a devorava. A falta daquele que nunca viera."
(Marguerite Duras in: Dias inteiros nas árvores. Ed. Guanabara, p. 79)
http://www.facebook.com/vencaluisa
www.vemcaluisa.blogspot.com
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
vertigem
"Quando ele dizia que me amava, eu sentia uma espécie de generosidade violenta penetrar-me e era obrigada a fechar os olhos. Qualquer outro teria podido me dizer isso. Teria tido o mesmo efeito, nas mesmas condições. Eu havia lido um romance, Magali, de Delly; esse livro desempenhou um papel capital em minha juventude. Era o mais belo/o único que eu lera, e as palavras "eu te amo" eram nele pronunciadas uma só vez no decorrer de uma conversa dos dois amantes, que durava alguns minutos apenas, mas justificava meses de espera, de dor, de uma separação perturbadora. Eu as ouvira no cinema, e a cada vez elas me perturbavam. Achava que elas só eram ditas uma vez na vida, como acontecia em Magali e nos filmes de Casanova. Que elas poderiam ser ditas uma só vez a uma só pessoa, depois do que não se podia dizê-las a ninguém mais, acontecia como com a morte. Eu estava convencida disso. E quando Léo me disse naquela noite que me amava, tive vertigem."
(Marguerite Duras in: Cadernos da guerra e outros textos. Ed. Estação Liberdade, p. 76-77)
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
apliquei-me para ser "como as outras"
"E posso afirmar absolutamente que, durante toda uma grande parte de minha juventude, apliquei-me para ser "como as outras", para "passar", o que me valeu uma soma considerável de dor e um desespero latente que estranhamente só me abandonou mais tarde."
(Marguerite Duras in: Cadernos da guerra e outros textos. Ed. Estação Liberdade, p. 84)
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
(Marguerite Duras in: Cadernos da guerra e outros textos. Ed. Estação Liberdade, p. 84)
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
infância ilimitada

"O passado, longe de qualquer nostalgia, se enraíza, ao contrário, no presente mais atual, fazendo da infância da escritora "um tempo inesgotável, inaudito, que [lhe] parece nunca poder mensurar". Essa "infância ilimitada".
(Sophie Bogaert e Olivier Corpet no prefácio de: Cadernos da guerra e outros textos, Marguerite Duras. Ed. Estação Liberdade, p. 16)
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Ao dia do escritor
"Nas cidades, nas aldeias, em toda parte, os escritores são pessoas sós. Em toda parte, e sempre, foram assim".
(Marguerite Duras)
www.vemcaluisa.blogspot.com
www.facebook.com/vencaluisa
Feliz dia do escritor! E obrigada, obrigada e obrigada a todos que produzem (boa) literatura no Brasil - e não só.
Com todo meu afeto e admiração,
Vanessa S.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Falei muito do escrito. Não sei o que seja (M. Duras)
"Um texto é um todo que avança junto, jamais se apresenta como um problema de opção. Mesmo que eu descubra no final de um livro que tal personagem amou outro tal personagem e não o que designo, não modificarei o passado do livro, o que já está escrito, mas antes seu futuro. No momento em que me dou conta de que o amor não é aquele que imagino, estou com esse novo amor, retomo com ele, não digo que o amor abandonado fosse falso, digo que está morto. (...) Falei muito do escrito. Não sei o que seja."
(Marguerite Duras in: A vida material. Ed. Globo, p. 33-34)
Imagem: The human stain
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
(Marguerite Duras in: A vida material. Ed. Globo, p. 33-34)
Imagem: The human stain
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
quarta-feira, 13 de março de 2013
o ato de escrever corresponde a uma necessidade trágica e feroz
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Existe, evidentemente, uma literatura urbana?
"- Existe, evidentemente, uma literatura urbana?
- Sim, a que se inspira nestes últimos modelos, Alain-Fournier à parte. Descreve o aborrecimento nas cidades, a solidão do indivíduo nos meios urbanos, sua revolta, suas aventuras."
(Marguerite Duras in: Outside. Ed.DIFEL: 1981, p. 40)
http://www.facebook.com/vencaluisa
http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
literatura bruta
"- Qual a porcentagem da literatura editada?
- Cerca de um por cento. Em cem manuscritos, noventa e nove nunca mais voltam às mãos de seus autores.
- É possível classificar, de um modo geral, esse enorme refugo?
- É. Podemos começar falando de uma literatura bruta. Ela constitui uma terça parte dos originais. Há muitos aposentados nessa categoria, e, depois, oficiais e funcionários. O seu defeito comum é pensarem: "Que romance daria a minha vida!" e não saberem distinguir aquilo que tem um interesse geral do que constitui uma mera recordação da família. Não conseguem conferir aos seus escritos um interesse geral. Muitos deles escrevem com o objetivo de corrigir lugares-comuns no espírito público."
(Marguerite Duras in: Outside. Ed.DIFEL, p. 38)
Assinar:
Postagens (Atom)




5.jpg)













