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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

e não foi inútil

Sempre me chamava de Pedrito. Jamais me chamou de Pedro Juan. Era doce ouvir sua voz acariciando meu nome. Eu me concentrava tanto quando a olhava que ela devia saber que estava mais apaixonado do que um cão. Que não podia viver sem olhar para ela todo dia. Claro que sabia. E devia rir de mim. (...) Perdi muito tempo nessa paixão inútil e deliciosa. Ou talvez não. E não foi inútil. É uma das lembranças mais bonitas que eu tenho na memória. Foi um amor intenso e profundo. De mão única. Não havia reciprocidade. Depois, com o passar dos anos, aprendi que quase sempre o amor se manifesta assim: numa direção só. É uma corrente que flui num sentido e poucas vezes tem resposta. Felizes aqueles que conseguem usufruir um amor que se manifesta, com a mesma força, nas duas direções.

Pedro Juan Gutierréz in: Fabián e o caos. Ed. Alfaguara, p. 48-49.

terça-feira, 15 de março de 2011

Escombros demais. (Pedro Juan Gutiérrez)

“Sempre vivi como se fosse interminável. Quero dizer que destruo tudo continuamente (...) Talvez seja o hábito de não cultivar, não guardar, não prever.
Pouco a pouco foi aumentando o peso sobre minhas costas. Escombros demais.
(...)  Um maldito senso pragmático da vida. Passo a vida fazendo contas. Calculando quanto entrego e quanto me dão em troca. Eu achava que era um cara bom, mas essa mania de matemática me fez ficar desolado, virei terra. Daí apareceu uma bela garota em minha vida, que focalizou em mim seus olhos e me passou uma mensagem telepática de amor. E eu acreditei. Tinha de acreditar. Quando a gente se sente tão sozinho capta muito rapidamente uma mensagem assim e a leva com cuidado até o coração e a deposita ali e se entusiasma e acredita que já está tudo resolvido."

(Pedro Juan Gutiérrez)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

'Vá em frente. Elas ficam felizes assim, nem que seja só por um tempo. E você também fica feliz.'


“Sou um sedutor. Eu sei. Assim como existem os alcoólicos irrecuperáveis, os jogadores, os viciados em cafeína, em nicotina, em maconha, os cleptomaníacos etcétera, sou viciado em sedução. Às vezes o anjinho que tenho dentro de mim tenta me controlar e diz assim: 'Não seja tão filho-da-puta, Pedrito. Não percebe que está fazendo essas mulheres sofrerem?'. Mas aí aparece o diabinho e o contradiz: 'Vá em frente. Elas ficam felizes assim, nem que seja só por um tempo. E você também fica feliz. Não se sinta culpado. (...) É um vício. Sei que a sedução é um vício igual a outro qualquer. E não existe nenhum Sedutores Anônimos. Se existisse, talvez pudessem fazer algo por mim. Se bem que não tenho certeza. Seguramente eu inventaria pretextos para não comparecer a suas sessões e ter de ficar lá na caradura na frente de todo mundo, botar a mão na Bíblia e dizer serenamente: 'Meu nome é Pedro Juan. Sou um sedutor. E faz hoje vinte e sete dias que não seduzo ninguém”.

(Pedro Juan Gutiérrez)

domingo, 31 de outubro de 2010

Muita habilidade para a vida. Ou muito sentido pragmático


“Enfim, esses ciúmes de mulher. Que eu nunca entendo porque são polvilhados de um egoísmo vulgar, de bolero barato. Só se deve ter ciúme do que vale a pena, do que é verdadeiramente importante. Não devemos desgastar-nos sentindo ciúme de tudo. Mas as mulheres não pensam assim. São capazes de sentir ciúme do ao mesmo tempo e com igual intensidade e veemência do marido, do amante, e de dois namorados. Têm muita habilidade para a vida. Ou muito sentido pragmático”.

(Pedro Juan Gutiérrez)

domingo, 7 de março de 2010

Ele não sabia...


"Eu ainda não sabia o que era essa história de se apaixonar feito um cachorro e não conseguir se afastar tranqüilamente de uma mulher. E dizia a mim mesmo: "Um homem não pode perder o controle nunca". Eu pensava como um líder, com o controle absoluto na mão. E gostava muito de mim: eu, o implacável. Depois, os anos passaram por mim e muitas coisas aconteceram".

(O Insaciável Homem-Aranha, Pedro Juan Gutièrrez)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

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"Sentia desassogo, ansiedade, inquietação e um pouco de amargura, tristeza, solidão. Sempre lhe acontecia a mesma coisa quando terminava um livro. Ele chamava isso de convalescença".

(Nosso GG em Havana, Pedro Juan Gutiérrez)