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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

das coisas

As coisas nunca são só o que parecem. E nunca são só acerca de ti.

Inês Pedrosa in: Dentro de ti ver o mar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

vivemos desconcentrados

- Que sabes tu da felicidade?
- O mesmo que tu. O mesmo que todas as pessoas que cansaram de a procurar.
- Eu nem tentei. Nunca acreditei na possibilidade de ser feliz.
- Tanto faz. Não é uma questão de procura, apenas de atenção. A atenção demora. Vivemos desconcentrados.
- Foste feliz, tu?
- Aprendi a ser. Sou feliz, agora.

Inês Pedrosa in: Desnorte. Ed. Dom Quixote.

www.vemcaluisa.blogspot.com.br

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

do amor, da fúria

(...) na realidade, o amor não me passou tão depressa quanto a fúria: agarrava-me àquela frase do timbre.

Inês Pedrosa in: Desnorte. Ed. Dom Quixote.

www.vemcaluisa.blogspot.com.br

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

sempre o tempo

O tempo é uma medida do espírito, não dos dias que passam.

Inês Pedrosa in: Desnorte.

sábado, 2 de abril de 2016

do escrever

(...) e depois foi-me passando a raiva, digam o que disserem é sempre por causa disso que se escreve, a raiva é a gasolina do espírito, o engenho e a arte vêm por acréscimo, e a mim passou-me.

Inês Pedrosa in: Desnorte. Ed. Dom Quixote.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

das recordações

De qualquer forma, o meu coração é uma floresta cheia de nevoeiro - guarda tudo e não encontra nada. Sou uma recordadora profissional. Vivo de recordações, mesmo daquilo que ainda não fiz. E repito obsessivamente os mesmos truques. Iludo-me. Penso que amanhã é que vai ser.

Inês Pedrosa in: Desnorte. Publicações Dom Quixote.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

do amor

Mas o amor é como a pintura. Só piora com a reprodução.

Inês Pedrosa in: Desnorte. Publicações Dom Quixote.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

é isso

Cada dia de separação é apenas isso: um dia em que o sol nasceu e morre sem testemunhar o nosso abraço.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

da imortalidade

Deixaste de me responder, ingrato Sebastião, mas não penses que te culpo ou te castigo ou sequer lamento a tua decisão de silêncio. De nossa tão alta amizade guardo firmamento bastante para firmemente te querer bem pelo resto das nossas vidas. Talvez um dia morras, e eu não saiba - e isso significa apenas que te continuarei amando vivo, e que viverás em mim enquanto eu viver. É essa a imortalidade em que acredito.

Inês Pedrosa in: A eternidade e o desejo. Ed. Alfaguara Brasil, p. 172.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

e não passa

O amor não lhe passou tão depressa quanto a fúria.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

sábado, 15 de agosto de 2015


Chega um tempo em que nos cansamos de resistir. O sofrimento tem uma fronteira na qual nos esquecemos de que somos gente.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Os sacrifícios tornam-nos apenas sacrificados

Ah, as teorias que eu elaborava sobre as vantagens terapêuticas do afastamento para o fortalecimento de uma relação, a importância da solidão para a construção do amor-próprio e sei lá que mais. Lérias. Parecia o primeiro ministro a explicar que a miséria nos engrandecerá e que os sacrifícios nos tornarão melhores. Os sacrifícios tornam-nos apenas sacrificados. Diminuem-nos. Tornam-nos piores. O amor precisa apenas do amor.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

do tempo

<É só um ano>>, dizia. Como se um ano fosse pouco para quem levou cinquenta a encontrar-se. Apeteceu-me gritar-lhe que cada dia da nossa vida tem de recuperar as décadas em que nos amávamos às escuras, tacteando corpos errados, desconhecendo a existência um do outro. Mas não tinha o direito de fazer isso - neste ano de ausência serei obrigado a aprender esse amor difícil que toda a viva evitei. Ocultei o meu desamor no clarão verde dos olhos de Clarisse, como antes de a conhecer o ocultava em todas as imitações de amor que me apareciam.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

do que falta

Sentia-me um estorvo. A minha tendência autodestrutiva reemergia, amarmos e sermos amados não basta para nos salvarmos, se nos falhar o amor-próprio.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

dos olhos

Clarisse e os seus olhos verdes, tão profundos, tão tristes. Estamos quites, eu também estou triste. Encontro-me vazio.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Do que acabava

Sempre que acabava uma história de amor - e acabaram todas - voltava a pensar nele. Raul Sousa parecia uma espécie de arquétipo com o qual comparava todos os homens reais que me decepcionavam. Ria-me para mesma, pensando que a grande qualidade de Raul era que eu não o conhecia, de facto. Fiz dele uma espécie de horizonte, para não desesperar com os enjoos da viagem.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. Dom Quixote.

terça-feira, 28 de julho de 2015

das tragédias individuais

As tragédias individuas não são assinaladas por placas, homenagens, celebrações. Falta-nos o tempo para as acolher e são demasiado próximas de nossa vida.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. D. Quixote.

www.vemcaluisa.blogspot.com.br

segunda-feira, 27 de julho de 2015

da sobrevivência

Instinto de sobrevivência. Já havia sobrevivido a muito. Talvez a vida não seja mais do que sobrevivência.

Inês Pedrosa in: Desamparo. Ed. D. Quixote.

Talvez...
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

para não

"Por que raio se armava aquele infeliz em professor? E se ela não estivesse disposta a aprender nada do que ele pretendia ensinar-lhe?
Era forte, sim. E por isso fora posta em pausa. Para não atrapalhar um fraco.(...) Para que o amor não exista."

(Inês Pedrosa in: Dentro de ti ver o mar)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

demolir o equilíbrio dele com uma avalanche de beijos


Na ideia do amor, a que podia agarrar-se através das expressões "equilíbrio emocional" e "entre nós". Acreditara poder demolir o equilíbrio dele com uma avalanche de beijos. Como se fosse possível fazer com que ele morresse e ressuscitasse com uma alma transparente, pronta para a receber. Sabia que não há almas imaculadas, isoladas dos genes, do sangue, de uma história.

Inês Pedrosa in: Dentro de ti ver o mar.

http://www.vemcaluisa.blogspot.com.br/