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terça-feira, 19 de junho de 2012

da paixão


Índia Song

“É a ideia do amor como droga, como um território que está além do Bem e do Mal. No mundo dos amantes não existem outras leis que não as da paixão”.

(MONTERO, Rosa. Paixões. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p. 15)

sábado, 24 de abril de 2010

Às vezes a estupidez beira ao heroísmo


"Quando Wallis tomou conhecimento da abdicação teve tal acesso de fúria que começou a jogar vasos contra as paredes: a atitude de Edward a condenava outra vez à marginalização social, lugar ingrato do qual tinha tentado fugir durante toda a vida. Ofereceu-se para retirar o pedido de divórcio para pôr fim à crise. "Você pode ir para onde quiser. Para a China, para Labrador ou para os Mares do Sul. Mas, aonde você for, eu te seguirei. Por mais que a obsessão de Edward por Wallis fosse doentia, essas palavras, e tudo o que estava em jogo com elas, são sem dúvida comoventes. Às vezes a estupidez beira ao heroísmo, e a patologia, a grandeza".

(Sobre Wallis Simpson e Edward - Duques de Windsor, Paixões - amores e desamores que mudaram a história, Rosa Montero, p. 12)

quinta-feira, 4 de março de 2010

A força alienante


"Platão dizia que Eros, o deus do amor, possuía uma dupla natureza, um filho de Afrodite Pandemos, a deusa do amor carnal, e de Afrodite Urânia, dos amores etéreos. Esta afrodite era uma divindade perigosa; tinha poderes tão grandes que, irada, irada com Zeus por uma bobagem, foi capaz de vingar-se dele obrigando-o a perseguir ninfas e mulheres mortais e, consequentemente, a descuidar-se de Hera, sua esposa. Isto prova que os antigos já estavam convencidos de que a força alienante do amor era capaz de fazer até o próprio rei de todos os deuses cair no ridículo".

(Paixões - amores e desamores que mudaram a história, Rosa Montero, p. 12)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

impermeável à experiência


"A paixão nunca aprende: é sempre idêntica, eternamente jovem, intacta, irrefletida. "Mas como é possível que eu esteja, a esta altura, fazendo outra vez as mesmas bobagens?, costuma gemer nossa razão, espantada, quando esperamos durante horas uma ligação que não chega nunca. "É que eu não aprendo", se queixa o amante sofredor. E ele está certo, porque o amor permanece impermeável à experiência".

(Paixões - amores e desamores que mudaram a história, Rosa Montero, p. 18)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Uma droga muito bonita, evidentemente



"Já que a paixão permanece incrustada no imaginário, é uma fantasia, uma alucinação, na qual a pessoa amada é apenas uma desculpa que nos damos para alcançar a emoção extrema de apaixonar-se. Na realidade, pouco importa quem amamos: por isso podemos repetir uma e outra vez o mesmo paroxismo. Como diz Santo Agostinho, o apaixonado ama é o amor. Uma droga muito bonita, evidentemente; mas a vida autêntica e miúda começa justamente onde o conto termina. Mais além do "foram felizes para sempre".

(Paixões - amores e desamores que mudaram a história, Rosa Montero, p. 21)