
"Platão dizia que Eros, o deus do amor, possuía uma dupla natureza, um filho de Afrodite Pandemos, a deusa do amor carnal, e de Afrodite Urânia, dos amores etéreos. Esta afrodite era uma divindade perigosa; tinha poderes tão grandes que, irada, irada com Zeus por uma bobagem, foi capaz de vingar-se dele obrigando-o a perseguir ninfas e mulheres mortais e, consequentemente, a descuidar-se de Hera, sua esposa. Isto prova que os antigos já estavam convencidos de que a força alienante do amor era capaz de fazer até o próprio rei de todos os deuses cair no ridículo".
(Paixões - amores e desamores que mudaram a história, Rosa Montero, p. 12)