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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Fragmento do leitor 13

''Passava-se os dias e as semanas e uma moça começa a vir ao quarto. Poderia dizer que é sempre a mesma moça porque, no início, uma moça é igual a outra, uma pessoa estranha, com quem nos comunicamos por meio de um código obrigatório. É preciso passar um pouco de tempo para fazer muitas coisas com essa moça para chegarmos juntos a entender a explicação para isso; e aí começa  a fase das enormes descobertas, a verdadeira e talvez a única fase exaltante do amor. Depois, passando mais um tempo e fazendo ainda mais coisas com essa moça, a gente percebe que as outras também eram assim, que eu também sou assim, que somos todos assim, e cada gesto dela nos aborrece como se repetido por milhares de espelhos."

Italo Calvino in: O amor longe de casa, do livro ''Um General Na Biblioteca'' Companhia das letras, 2001. tradução: Rosa Freire dÁguiar. Página 46

Enviado por: Ricardo Rodrigo França Da Silva.

sábado, 16 de julho de 2011

dos desejos

An education
"(...) o desejo de um futuro a ser conquistado é garantido pela memória de um passado perdido."

(Italo Calvino in: Por que ler os clássicos. Companhia de Bolso, p. 19)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Italo Calvino - I



Acabei de ler hoje.

“(...) a matéria-prima do escrever não estará toda por acaso nesse ressurgir à superfície de grifos peludos, assanhamentos caninos, chifradas caprinas, violências interditas que bracejam nas trevas? Mas a coisa deve ser vista de duas maneiras: que este fervilhar demoníaco no interior das pessoas singulares e plurais, nas coisas feitas ou que se acredita fazer, e nas palavras ditas ou que se acredita dizer, seja de um modo de fazer ou de dizer que não está bem, e convém, portanto, engolir tudo de novo, ou em vez disso seja precisamente o que mais conta e visto que ali está seja aconselhável fazê-lo vir o furo...
(...) A palavra escrita acrescenta as paixões? Ou submete as forças da natureza? Ou se encontra em harmonia com a desumanidade do universo? Ou gera uma violência contida mas sempre pronta a arremessar-se, a dilacerar?”.
(Também tento contar a minha, O castelo dos destinos cruzados, Ítalo Calvino)

Italo Calvino - II













“(...) ruminando em silêncio as perguntas que certamente lhe teriam passado pela cabeça, como agora acontecia conosco: “Que cidade é essa? Será a Cidade de Tudo? A cidade em que todas as partes se conjugam, as escolhas se contrabalançam, onde se enche o vazio que existe sempre entre o que se espera da vida e aquilo que nos toca?”.
(...) o caminho das paixões, que é sempre uma via de fato, agressiva, de cortes nítidos, e o caminho da sabedoria, que requer reflexão e um lento aprendizado.
(...) Como explicar que para a sede que tem no corpo não lhe basta nem um poço nem outro?”
(História do indeciso, O castelo dos destinos cruzados, Ítalo Calvino)

Italo Calvino - III



“O bosque do amor não é lugar para ti, Rolando! Estás seguindo um inimigo cuja insígnia não há escudo que te possa proteger. Esquece-te de Angélica! Volta”.
(História de Rolando louco de amor, O castelo dos destinos cruzados, Ítalo Calvino)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sedes e fontes


"Mas há fontes que - alguém entre nós certamente pensou - assim que delas se bebe provocam ainda mais sede, em vez de aplacá-la".

(O Castelo dos Destinos Cruzados, Italo Calvino)

Imagem: Giovanni Segantini