Dedicou-se a colher prova da passagem do tempo sobre o corpo de uma mulher bela e triste - sempre triste, mesmo quando sorria para a câmera.
(Marçal Aquino in: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Ed. Companhia Das Letras)
sábado, 11 de julho de 2015
sexta-feira, 10 de julho de 2015
dos rastros
Penso, o que será do passado quando os rastros se forem e ficar apenas a memória. Como se os rastros dissessem alguma coisa. Os rastros contam sempre uma outra história. (...) As palavras parecem ter perdido sua substância, como uma fruta que tivesse perdido sua carne e restasse apenas a casca. A casca das palavras é frágil e ressecada. Eu te amo, diz o texto. Talvez entre o eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência.
Carola Saavedra um: O inventário das coisas ausentes. Companhia das Letras.
Carola Saavedra um: O inventário das coisas ausentes. Companhia das Letras.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
estado de espírito
Vigilância constante era o meu lema. Um estado de espírito de otimismo cauteloso deve existir, mas na verdade meu estado de espírito fica mais bem descrito como o de pessimismo cauteloso.
Erica Jong in: Medo de voar. Ed. Nova Cultural, p.14.
Erica Jong in: Medo de voar. Ed. Nova Cultural, p.14.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
e tem mais...
A tristeza e o acúmulo de mágoas pormenorizadas, enquanto a verdadeira raiva ainda estava por vir.
Ian McEwan in: A balada de Adam Henry.
Ian McEwan in: A balada de Adam Henry.
terça-feira, 7 de julho de 2015
do ofício
Faulkner aprendeu seu ofício enquanto trabalhava na agência de correio de Oxford, Mississippi. Outros escritores aprenderam o básico enquanto serviam na Marinha, trabalhavam em siderúrgicas ou passavam uma temporada nos melhores hotéis com janelas de grades dos Estados Unidos. Eu aprendi a parte mais valiosa (e comercial) de meu trabalho enquanto lavava lençóis de motel e toalhas de mesa na lavanderia New Franklin, em Bangor. Aprendemos mais lendo muito e escrevendo muito, e as lições mais valiosas são aquelas que ensinamos a nós mesmos.
Stephen King in: Sobre a escrita. Suma de Letras, p. 201-202.
Stephen King in: Sobre a escrita. Suma de Letras, p. 201-202.
domingo, 5 de julho de 2015
das brigas
Há certas brigas que parecem ter estado ali o tempo todo, esperando para tomar corpo. Qualquer descuido. Brigas que carregam consigo todos os ódios, todas as frustrações. Brigas assim, quando começam, não há nada capaz de freá-las, como se alimentadas por uma força inesgotável. E foi o que aconteceu...
Carola Saavedra in: O inventário das coisas ausentes. Companhia das Letras.
Carola Saavedra in: O inventário das coisas ausentes. Companhia das Letras.
sábado, 4 de julho de 2015
simples assim
- Como faz o senhor - perguntava Proust a Anatole France -, como faz para saber tantas coisas?
- É muito simples, meu caro Marcel: quando eu tinha sua idade, não sendo bonito como você nem agradando muito, eu não frequentava a sociedade, ficava em casa e lia, lia sem parar.
André Maurois in: Em busca de Proust.
- É muito simples, meu caro Marcel: quando eu tinha sua idade, não sendo bonito como você nem agradando muito, eu não frequentava a sociedade, ficava em casa e lia, lia sem parar.
André Maurois in: Em busca de Proust.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
quanto mais...
O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo.
(Bernardo Soares)
(Bernardo Soares)
terça-feira, 30 de junho de 2015
da paixão
Toda paixão verdadeira é sem esperança, do contrário não seria uma paixão mas um simples pacto, um acordo sensato, uma troca de interesses banais.
Sándor Márai in: As brasas. Companhia das Letras, p. 105.
Sándor Márai in: As brasas. Companhia das Letras, p. 105.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
não
Dizer não
Mesmo quando o vidro moído da palavra magoar sua garganta.
Colocar a mão na fogueira e acariciar
as brasas, ainda que sua pele
descole feito a de um tomate.
Apagar
as luzes e abraçar os mortos-vivos.
Morder, mesmo sem as presas de um cão.
Uivar. Dizer não até
a náusea: esse amor indulto,
esse desvelo sem glória
em que só os condenados
insistem.
(Adriana Lisboa in: Parte da paisagem. Ed. Iluminuras)
Mesmo quando o vidro moído da palavra magoar sua garganta.
Colocar a mão na fogueira e acariciar
as brasas, ainda que sua pele
descole feito a de um tomate.
Apagar
as luzes e abraçar os mortos-vivos.
Morder, mesmo sem as presas de um cão.
Uivar. Dizer não até
a náusea: esse amor indulto,
esse desvelo sem glória
em que só os condenados
insistem.
(Adriana Lisboa in: Parte da paisagem. Ed. Iluminuras)
domingo, 28 de junho de 2015
não digo nada
e
permaneço imóvel
como para não afugentar
uma borboleta pousada por descuido
na palma de minha mão
não digo nada
mas de certa forma
estou completo
Caio F.
permaneço imóvel
como para não afugentar
uma borboleta pousada por descuido
na palma de minha mão
não digo nada
mas de certa forma
estou completo
Caio F.
sábado, 27 de junho de 2015
do devaneio
E esse era o problema: a dificuldade feminina de evitar o devaneio.
Ana Luisa Escorel in: Anel de vidro. Ed. Ouro sobre Azul, p. 79.
Ana Luisa Escorel in: Anel de vidro. Ed. Ouro sobre Azul, p. 79.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
com cuidado
A minha mãe explicou que o amor também é namorar com cuidado.
Valter Hugo Mãe in: O paraíso são os outros. CosacNaify.
Valter Hugo Mãe in: O paraíso são os outros. CosacNaify.
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