quinta-feira, 9 de junho de 2011

as palavras existem como princípio - Mishima

"Cedo compreendi que a vida consiste em dois elementos contraditórios: as palavras, que podem mudar o mundo, e o mundo mesmo, que não tem nada a ver com as palavras. Para a maioria das pessoas, o corpo precede a linguagm. No meu caso, as palavras existem como princípio."

(Do filme - Mishima: a life in four chapters)

Menos razoável, porém mais divertida

Damned if you don´t
"- Ela era forçosamente mais frágil que ele. Menos razoável, porém mais divertida, talvez, mais engraçada para viver e, curiosamente, menos apavorada que ele diante da vida. Mais pessimista que ele. E menos apavorada diante da morte."

(Marguerite Duras in: Emily L. Ed. Nova Fronteira, p. 91)

só o orgulho era maior

Anna Friel
"Na balança instável do teu coração, só o orgulho pesava mais do que a generosidade."

(Inês Pedrosa in: Fazes-me falta. Ed. Planeta, p. 129-130)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Afeição pode não ser amor, mas é ao menos prima-irmã do amor

"Como tem prazer com ela, um prazer invariável, começa a nascer nele uma afeição por ela. Até certo ponto, ele acredita, essa afeição é correspondida. Afeição pode não ser amor, mas é ao menos prima-irmã do amor. Diante do começo pouco promissor que tiveram. até que têm sorte, os dois: ele porque a encontrou, ela porque o encontrou."

(J.M. Coetzee in: Desonra. Ed. Companhia das Letras, p. 8)

Que poderia ter feito. Que deveria ter feito

"Havia, sim, um plano de existência aonde ficavam depositadas (como dinheiro numa conta bancária) as coisas que ele não fizera. Que poderia ter feito. Que deveria ter feito".

(Adriana Lisboa in: Sinfonia em branco. Ed. Rocco, p. 148)    

você tenta dizer alguma coisa e de repente descobre que não consegue falar


“Faça alguma coisa!, gritava Juliet, ou tentava gritar, porque era um desses sonhos em que você tenta dizer alguma coisa e de repente descobre que não consegue falar. Envolta na mortalha do sono, ela se debateu.”

(Rachel Eusk in: Arlington Park. Ed. Record, p.13)

terça-feira, 7 de junho de 2011

ou se não sarando pelo menos esquecendo, desenvolvendo uma cicatriz em volta da lembrança

"Portanto, o tempo realmente cura tudo. É de se esperar que Lucy esteja sarando também, ou se não sarando pelo menos esquecendo, desenvolvendo uma cicatriz em volta da lembrança daquele dia, encobrindo, lacrando a lembrança."

(J.M. Coetzee in: Desonra. Ed. Companhia das Letras, p. 161)

Que não vinha


“José esperando de si mesmo com perseverança a confiança da próxima frase do discurso. Que não vinha. Que não vinha. Que não vinha.”

(Clarice Lispector in: Feliz aniversário {conto})

segunda-feira, 6 de junho de 2011

uma consciência dolorosa do tempo

"Com um ouvido ELA presta atenção ao barulho... (...) Ouve como ele enfia seus dentes sadios no tempo e os devora, com apetite. A cada segundo, ELA tem uma consciência dolorosa do tempo, e seus dedos marcam os segundos nas teclas, como se fossem a máquina de um relógio".

(Elfriede Jelinek in: A pianista. Ed. Tordesilhas, p. 50)

E porque, de um modo geral, sempre há alguma coisa que se acaba

La pianiste
"Mas não sabe o que dizer... (...) E volta a chorar mais um pouquinho, porque a mãe está velhinha e um dia vai se acabar. E também porque a juventude dela, Erika, também já se acabou. E porque, de um modo geral, sempre há alguma coisa que se acaba, e raramente vem outra no seu lugar."

(Elfriede Jelinek in: A pianista. Ed. Tordesilhas, p. 15)

domingo, 5 de junho de 2011

é, Clarice, privilégio...

"Sofrimento é privilégio dos que sentem."

(Clarice Lispector in: Brasília: esplendor {crônica})

sábado, 4 de junho de 2011

duro, Duras

"Salvo esse amor que tenho por você e que sei ilusório e que através da aparente preferência que lhe dedico amo apenas o próprio amor não desmantelado pela escolha de nossa história."

(Marguerite Duras in: O verão de 80. Ed. Record, p. 86)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vocês não podem derrotá-los? Os fantasmas?

Robert Doisneau
"- Bem, por que você veio? - perguntou.
- Para ver Elizabeth. Só isso.
- Ruth e eu partilhamos fantasmas - explicou Elizabeth. - E um conhecimento. Que mais ninguém seria capaz de compreender. Mesmo eu não compreendo muito bem. Mesmo depois...
- É um laço muito forte, Daniel. Espero que você nunca descubra.
- Vocês não podem derrotá-los? Os fantasmas?
- Ah, não. Foram eles que nos derrotaram. Nós somos como soldados feridos. Num campo de batalha que eles abandonaram.
- Abandonaram? Eles partiram voluntariamente?
- Nunca saberemos. Derradeiros momentos. O que acontece na mente durante os derradeiros momentos. Não tem mais perguntas?"

(Josephine Hart in: Pecado. Ed. Círculo do Livro, p. 141)

Não há como me livrar desse anseio


“Se eu tivesse insistido em tocar em frente, só ia conseguir me torturar ainda mais. A coisa mais inteligente que eu fiz foi não ir à festa. Porque eu estava cedendo, cedendo sem me dar conta do que eu estava fazendo. O anseio jamais passava, nem mesmo no tempo em que ela era minha. A emoção básica, como já disse, era o anseio. Continua sendo anseio. Não há como me livrar desse anseio, da sensação de que estou sempre um suplicante. É isso: eu sinto anseio quando estou com ela, e também quando estou sem ela.”

(Philip Roth in: O animal agonizante. Ed. Companhia das Letras, p. 81)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mas se o tempo for a doença?

Asas do desejo
"O tempo cura. Mas se o tempo for a doença? É como se às vezes tivéssemos que nos pendurar para continuar vivendo. Para viver, um olhar basta."

(Do filme: Wings of desire)