sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Que será, que será...

“O que será que ele diz naquilo que não diz?”

(Adriana Lisboa in: Caligrafias. Ed. Rocco, p. 23)

Para os vegetarianos de plantão - tradução da Adriana Lisboa

O escritor americano Jonathan Safran Foer acaba de lançar (no Brasil) um livro sobre vegetarianismo e a indústria da carne nos Estados Unidos: "Comer animais".
Eu não li o livro e nem balanço a bandeira (pois sou uma carnívora irremediável), mas indico de antemão pois a tradução é da Adriana Lisboa. E se é dela, certamente é bom de ler... É da editora Rocco também.

"Deles não quero resposta, quero meu avesso" (amigos e Oscar Wilde)

"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.''

(Oscar Wilde)

*Deliciosamente roubado daqui. Obrigada, Ciça.
**Dedicado a todos os meus amigos mais queridos - sem citar nomes desta vez, eles sabem quem são. Aqueles pelos quais nutro uma fidelidade canina. A amizade é uma espécie de amor que merece todo o cuidado do mundo.

Acerca dos aromas: Carpinejar


“O cheiro é mais do que um verbo e sua conjugação errada; é um nome. Um desenho sem chão porque a árvore se contenta em subir para o sol.”

(Carpinejar in: O amor esquece de começar. Crônica: O cheiro. Ed.Bertrand Brasil, p. 124)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A própria esperança da alegria (Clarice L.)


“Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar em um mar suave, as ondas me levavam e me traziam.”

(Clarice Lispector. Conto: Felicidade Clandestina)

Quem pode julgar-se realizado? Só os ingênuos ou os gabolas.


“Você se considera um autor realizado?
Realizado? Jamais! Quem pode julgar-se realizado? Só os ingênuos ou os gabolas. Ninguém se realiza, nem na literatura, nem noutra qualquer atividade. O homem sempre alça as vistas para algo que não está ao seu alcance. O homem é sempre um ser fracassado.

(Edla van Steen in: Viver & Escrever vol. 2. Depoimento de Cyro dos Anjos. Ed. L&M Pocket, p. 122)

Soma de cansaços e renúncias (F. Pessoa)


“Uma tristeza de crepúsculo, feita de cansaços e de renúncias falsas, um tédio de sentir qualquer coisa, uma dor como de um soluço parado ou de uma verdade obtida.

(Fernando Pessoa in: Livro do desassossego. Ed. Companhia de Bolso, p.77)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sim, também lamento


“SÉRGIO – Eu lamento não ser uma pessoa fantástica, rica e estimulante como o Raul; em compensação gosto de comer você o que duvido que o Raul, algum dia, tenha vontade de fazer!
LUÍSA – Você é um cara muito, mas muito grosso!
SÉRGIO – Por que é que você vive se ligando a veados, homens casados e caras que não vão te dar futuro?
LUÍSA – (Divertida.) Ah! Repete isso outra vez!
SÉRGIO – O que é que foi?
LUÍSA – Santo André rides again!
SÉRGIO – Você entendeu muito bem o que eu quis dizer!
LUÍSA – Então o garotão acha que eu só devo me interessar por “caras” que me dêem futuro! E que diabo de futuro seria esse?”

(Maria Adelaide Amaral in: Melhor teatro. Ed. Global, p. 198)

São estas as palavras mais tristes de qualquer língua: demasiado tarde

“(...) todo o saber chega demasiado tarde. Demasiado tarde. São estas as palavras mais tristes de qualquer língua”.

(Inês Pedrosa in: Fazes-me falta)

qualquer coisa que doesse, qualquer coisa lancinante


Um desejo de que você sofresse muito, porque era assim, essa ação estendendo-se no tempo. E naquele momento eu seria capaz de qualquer coisa, qualquer coisa que doesse, qualquer coisa lancinante. Eu seria capaz das coisas mais espantosas.”   

(Carola Saavedra in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras, p.47)

Acerca dos planejamentos


“Quanto mais elaboramos nossos planos, mais ridículo é o nosso fracasso.”

(Tolstói sobre Napoleão – na Rússia)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mas era uma alegria misturada com uma dor antecipada, como se eu previsse o nosso futuro


“Eu escutava cada palavra e sentia o corpo tremer: de medo, de desejo, de felicidade. Você me dizia palavras de paixão, e eu acreditava nelas. Mas ao mesmo tempo olhava nos seus olhos e sabia de tudo, descobria tudo. Olhava nos seus olhos e entendia que, por mais que viesse a me amar um dia, jamais nos amaríamos da mesma maneira. Sabia desde o início, que o meu amor seria sempre mais forte do que o seu, e com isso também que era grande o sofrimento que me aguardava. (...) Era uma alegria grande, imensa, gigantesca, mal cabia no meu corpo pequeno. Mas era uma alegria misturada com uma dor antecipada, como se eu previsse o nosso futuro e percebesse no seu olhar toda a felicidade e toda a tristeza que me aguardavam.”

(Tatiana Salem Levy in: A chave da casa. Ed. Record, p.34)

Pensamentos soltos, que não viram palavras


“(...) pensei e não disse de novo. Quando fico triste, não consigo dizer nada. As palavras vêm todas juntas e dão um nó na minha garganta.”

(Ana Letícia Leal in: Meninas inventadas. Ed. Bom Texto, p. 50)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Então, deixemos o mundo muito mais rico

"Quando fecha um livro, o leitor ideal sente que se não o tivesse lido, o mundo ficaria mais pobre."

(Alberto Manguel)
 
Imagem: Dianne Miller

Sonhos para vestir

A dica abaixo é da escritora Ana Letícia Leal:

Pra todos que amam usar criativamente as palavras, vale a pena ver Sonhos para Vestir, na Laura Alvim. A autora/atriz se inspira no trabalho de Bartolomeu Campos de Queirós e inclui no texto palavras sugeridas na hora, pelo público. O endereço do blog da peça: http://sonhosparavestir.blogspot.com/

SONHOS PARA VESTIR
Quintas e sextas - 21:00 hs
Casa de Cultura Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176, Ipanema, Rio de Janeiro - RJ)
Espaço Rogério Cardoso
Informações | (21) 2332-2015


Ficha Técnica 

Direção: Vera Holtz

Texto e Interpretação: Sara Antunes
Cenário-Instalação: Analu Prestes
Assistente: Paula Cruz
Luz: Paulo Cesar Medeiros
Figurino: Kabila Aruanda
Música: Daniel Valentini
Vídeos: Fábio Nagel
Preparação Corporal: Mary Cunha
Treinamento de Voz: Laila Garin
Imprensa: Barata Comunicação
Projeto Gráfico: Glaura Santos
Produção: Cristina Sato e Paulo Ferrer