sábado, 23 de julho de 2011

porque se perdera na história como a água na areia

“(...) ela chorou porque se lembrou daquele homem de Cholen e subitamente não tinha certeza de não tê-lo amado com um amor que não havia percebido porque se perdera na história como a água na areia e só agora encontrava, no momento em que a música era lançada através do mar.”

(Marguerite Duras in: O amante. P.93)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

do que move

“Sim, homem, as mulheres são a mola que tudo move neste mundo.”

(Tolstói in: Anna Karenina)

Ouhnnnn

Eu que fiz!
Os coleguinhas da aula de literatura e cinema vão comer, mais tarde.

A receita está aqui

Charles Bukowski: Velho Safado e beberrão

Escritor alemão naturalizado norte-americano (1921-94) é lembrado – para além de sua obra – por seu apelido, que ele próprio deu a si: Velho Safado. Alcoólatra, preguiçoso, mulherengo, imprevisível, Bukowski transformou sua vida louca em literatura (com sucesso).
Charles não foi o único escritor bebum. No entanto, suas histórias sempre gravitavam em torno de garrafas de rum, cerveja, gim, vinho ou outro álcool de má qualidade. Também de má qualidade era sua saúde: problemas de hemorróidas, fígado, rins, pulmões…
Os biógrafos do escritor contam passagens curiosas de sua vida. Uma delas ocorreu em setembro de 1972, quando ele aceitou se apresentar para 800 estudantes em São Francisco. Aceitou pelo dinheiro que ganhou, já que odiava o público. Bukowski bebeu durante o vôo, beu no táxi, bebeu antes de entrar no palco e bebeu durante a apresentação.  Bêbado, leu dois poemas e xingou os alunos que se atreveram pela tamanha audácia de fazer perguntas sobre literatura. Os estudantes retribuíram vaias, gritos e atirando garrafas. A encrenca não acabou por aí.
“No apartamento dos organizadores, logo tratou de acertar um murro em outro escritor mais bêbado que ele, mordeu a orelha de um crítico, ofendeu um fotógrafo e, de quebra, ainda tentou acertar com uma frigideira a cabeça de sua namorada, que, inutilmente, o havia puxado para a cozinha na tentativa de acalmá-lo.” (p. 119)
Os amigos do escritor contam que Bukowski mantinha recortes de jornal sobre os Alcoólicos Anônimos colados perto de sua escrivaninha. De vez em quando ele fazia o teste do AA, com dez perguntas que mostram se alguém precisa de tratamento.  Fazia o teste e comentava com os amigos que não era alcoólatra, pois pararia de beber quando quisesse, nem que fosse por apenas um dia.

Texto: Vanessa Souza Moraes
Fonte: Tavares, Ulisses. Hic!stórias – os maiores porres da história da humanidade. Ed. Panda Books.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Estou lá no Amálgama

Com resenha do livro:

A Delicadeza
do David Foenkinos

Passem por lá

As mulheres podem enlouquecer de silêncio, isso eu sei.

Eyes wide shut
"Num café, certa vez, uma mulher muito mais velha do que eu pediu-me licenca para sentar-se à minha mesa e murmurou: "Ouça-me, por favor. Se não falar com alguém enlouqueço". As mulheres podem enlouquecer de silêncio, isso eu sei. Não são capazes de esvaziar as cabeças sozinhas. Dispensam conselhos e abominam gestos compassivos. Só querem ser ouvidas com atenção."

(Inês Pedrosa in: Os íntimos. Ed. Alfaguara, p.36)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um pontinho no nariz

500 days of Summer
"Rusbrock [personagem de Dostoievski] está enterrado há cinco anos; é desenterrado; seu corpo está intacto e puro (pudera! Senão não haveria história); mas: ‘havia apenas um pontinho no nariz que tinha um leve traço de decomposição’.
Sobre a figura perfeita e como embalsamada do outro (que tanto me fascina), percebo de repente um pouco de decomposição. É um ponto mínimo: um gesto, uma palavra, um objeto, uma roupa, alguma coisa insólita que surge (que aponta) de uma região de que eu nunca havia suspeitado antes, e devolve bruscamente o objeto amado a um mundo medíocre.
Fico alarmado: ouço um contra-rimo: algo como um síncope na lida frase do ser amado, o ruído de um rasgo no invólucro liso da Imagem".

(Roland Barthes in: Fragmentos de um discurso amoroso)

sobre esquecer


“Esqueceria, antes, seu telefone, seu endereço, seu próprio nome, o som da sua própria voz, mas não aquilo. Quando o inimigo avança, recuamos, e quando precisamos recuar às vezes tropeçamos em nós mesmos.”

(Adriana Lisboa in: Azul-corvo. Ed. Rocco, p. 112)

terça-feira, 19 de julho de 2011

palavras, palavras

Ouça

"O que envolve, enlaça o corpo sensível da mulher, não são, antes de tudo, palavras de amor?"

(Philippe La Sagna in: A elaboração da solidão)

perícia e arte

"Separar parte sã
da doentia parte
quem no amor-paixão
teria tal perícia e arte?"

(Affonso Romano de Sant'Anna)

o que é importante...

Angel
"- O importante nesta vida não é aquilo em que se põe o amor, mas sentir o amor - respondeu ele em tom compenetrado, terminante e decisivo."

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 2 - À sombra das raparigas em flor.Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 466)

o que falta, o que sobra

"As coragens das mulheres dispõe de uma reserva que falta à de seus amantes."

(Stendhal in: D´amour)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Não há nada mais poderoso do que um amor que não se dá

"Se o Outro não dá resposta, há aflição na criança, não pela falta ou pela perda do objeto demandado e sim pela falta de resposta. Não há nada mais poderoso do que um amor que não se dá, pois é desse que se depende absolutamente. Do amor de mãe nunca se tem certeza."

(Malvine Zalcberg in: Amor paixão feminina. Ed. Campus, p. 40)

constante revisão

"Por fim, veio a reflexão de que, afinal de contas, não se tem o direito de desesperar por não ver confirmadas as próprias expectativas; deve-se fazer uma revisão dessas expectativas."

(Freud in: A história do movimento psicanalítico. Volume XIV, p. 27, Ed. Imago)

sábado, 16 de julho de 2011

quando o amor falha, a culpa é do Destino - esse mordomo circunspecto que o teu Deus manda

"O amor é um assunto de pesos e halteres, plumas e encadeamentos - oh, que bem me lembro. Uma trabalheira de flores e poemas, ausências estudadas e presenças enigmáticas, o remake infinito da história da Capuchinho Vermelho. As decantadas descobertas do amor pareceram-me sempre pura ginástica da imaginação. Vantagem suplementar: quando o amor falha, a culpa é do Destino - esse mordomo circunspecto que o teu Deus manda."

(Inês Pedrosa in: Fazes-me falta. Ed. Planeta, p. 198) 

Para ouvir