quarta-feira, 8 de junho de 2011

você tenta dizer alguma coisa e de repente descobre que não consegue falar


“Faça alguma coisa!, gritava Juliet, ou tentava gritar, porque era um desses sonhos em que você tenta dizer alguma coisa e de repente descobre que não consegue falar. Envolta na mortalha do sono, ela se debateu.”

(Rachel Eusk in: Arlington Park. Ed. Record, p.13)

terça-feira, 7 de junho de 2011

ou se não sarando pelo menos esquecendo, desenvolvendo uma cicatriz em volta da lembrança

"Portanto, o tempo realmente cura tudo. É de se esperar que Lucy esteja sarando também, ou se não sarando pelo menos esquecendo, desenvolvendo uma cicatriz em volta da lembrança daquele dia, encobrindo, lacrando a lembrança."

(J.M. Coetzee in: Desonra. Ed. Companhia das Letras, p. 161)

Que não vinha


“José esperando de si mesmo com perseverança a confiança da próxima frase do discurso. Que não vinha. Que não vinha. Que não vinha.”

(Clarice Lispector in: Feliz aniversário {conto})

segunda-feira, 6 de junho de 2011

uma consciência dolorosa do tempo

"Com um ouvido ELA presta atenção ao barulho... (...) Ouve como ele enfia seus dentes sadios no tempo e os devora, com apetite. A cada segundo, ELA tem uma consciência dolorosa do tempo, e seus dedos marcam os segundos nas teclas, como se fossem a máquina de um relógio".

(Elfriede Jelinek in: A pianista. Ed. Tordesilhas, p. 50)

E porque, de um modo geral, sempre há alguma coisa que se acaba

La pianiste
"Mas não sabe o que dizer... (...) E volta a chorar mais um pouquinho, porque a mãe está velhinha e um dia vai se acabar. E também porque a juventude dela, Erika, também já se acabou. E porque, de um modo geral, sempre há alguma coisa que se acaba, e raramente vem outra no seu lugar."

(Elfriede Jelinek in: A pianista. Ed. Tordesilhas, p. 15)

domingo, 5 de junho de 2011

é, Clarice, privilégio...

"Sofrimento é privilégio dos que sentem."

(Clarice Lispector in: Brasília: esplendor {crônica})

sábado, 4 de junho de 2011

duro, Duras

"Salvo esse amor que tenho por você e que sei ilusório e que através da aparente preferência que lhe dedico amo apenas o próprio amor não desmantelado pela escolha de nossa história."

(Marguerite Duras in: O verão de 80. Ed. Record, p. 86)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vocês não podem derrotá-los? Os fantasmas?

Robert Doisneau
"- Bem, por que você veio? - perguntou.
- Para ver Elizabeth. Só isso.
- Ruth e eu partilhamos fantasmas - explicou Elizabeth. - E um conhecimento. Que mais ninguém seria capaz de compreender. Mesmo eu não compreendo muito bem. Mesmo depois...
- É um laço muito forte, Daniel. Espero que você nunca descubra.
- Vocês não podem derrotá-los? Os fantasmas?
- Ah, não. Foram eles que nos derrotaram. Nós somos como soldados feridos. Num campo de batalha que eles abandonaram.
- Abandonaram? Eles partiram voluntariamente?
- Nunca saberemos. Derradeiros momentos. O que acontece na mente durante os derradeiros momentos. Não tem mais perguntas?"

(Josephine Hart in: Pecado. Ed. Círculo do Livro, p. 141)

Não há como me livrar desse anseio


“Se eu tivesse insistido em tocar em frente, só ia conseguir me torturar ainda mais. A coisa mais inteligente que eu fiz foi não ir à festa. Porque eu estava cedendo, cedendo sem me dar conta do que eu estava fazendo. O anseio jamais passava, nem mesmo no tempo em que ela era minha. A emoção básica, como já disse, era o anseio. Continua sendo anseio. Não há como me livrar desse anseio, da sensação de que estou sempre um suplicante. É isso: eu sinto anseio quando estou com ela, e também quando estou sem ela.”

(Philip Roth in: O animal agonizante. Ed. Companhia das Letras, p. 81)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mas se o tempo for a doença?

Asas do desejo
"O tempo cura. Mas se o tempo for a doença? É como se às vezes tivéssemos que nos pendurar para continuar vivendo. Para viver, um olhar basta."

(Do filme: Wings of desire)

...

Annie Hall

“(…) deitar com uma mulher e dormir com outra, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)”

(Milan Kundera in: A insustentável leveza do ser)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

No mais, tudo eram combinações. Matizes, preferências, impossibilidades.

"E quanto a mim. E quanto a mim, eu não sabia. Não tinha como saber. Não tinha como me apossar dos mistérios daquela mulher como me apossara de seus livros de Manuel Bandeira. E sabia que tínhamos em nós uma paleta, que ia do branco ao preto e novamente ao branco, passando por todas as nuances possíveis de cor. No mais, tudo eram combinações. Matizes, preferências, impossibilidades. E a água da chuva continuava correndo dentro das canaletas dos telhados, do alto para baixo, como sempre."

(Adriana Lisboa in: Um beijo de colombina. Ed. Rocco, p. 124-125)

# 16 sorteio de livros do blog

Título: Grotescas
Autora: Natsuo Kirino
Editora: Rocco

O livro será sorteado em 01 de julho.
Mais infos do livro aqui.

O mesmo de sempre para concorrer: colocar nome completo, e-mail, morar no Brasil e ser seguidor do "Vem cá Luísa, me dá tua mão".

Resultado do # 15 sorteio de livros do blog

Mario Sergio Montacuto
Quem levou:
Título: Se eu fechar os olhos agora
Autor: Edney Silvestre
Editora: Record
Foi a leitora:
Vanessa Carvalho Gomes - que foi avisada por e-mail.

um poço fitando o céu


"Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos - um poço fitando o céu.”

(Fernando Pessoa in: Livro do Desassossego)