segunda-feira, 7 de março de 2011

Pode, pode sim!


“Ninguém pode ser tão feliz sem ser punido.”

(Do filme: Ninotchka)

Pragmatismo feminino - Oscar Wilde


“Os homens sempre desejam ser o primeiro amor de uma mulher, o que é uma vaidade tola. Já as mulheres são mais pragmáticas: o que elas desejam é ser o último romance de um homem.”

(Oscar Wilde)

alimentos do corpo


“O corpo humano se alimenta
também de ausências.”

(Rubem Alves)

Talvez o amor seja mesmo uma linguagem da pele...


“LUÍSA – Preciso ir embora!
SÉRGIO – Como é que você vai sobreviver à minha ausência até a semana que vem?
LUÍSA – Reconheço que vai ser difícil, mas tentarei não me suicidar!
(Sérgio abraça-a.)
SÉRGIO – Sabe que você é muito gostosa, muito cheirosa, muito...
LUÍSA – Foi legal...
SÉRGIO – (Acariciando-a) Podia ficar a noite inteira acariciando você...
LUÍSA – Talvez o amor seja mesmo uma linguagem da pele...
SÉRGIO – Eu já li isso em algum lugar...”

(Teatro Completo - Maria Adelaide Amaral, peça: De braços abertos, p. 190, Ed. Global)

domingo, 6 de março de 2011

uma palavra-ausência, uma palavra-buraco (Marguerite Duras)


“Gosto de acreditar, como gosto dela, que se Lol está silenciosa na vida é porque acreditou, no espaço de um relâmpago, que a palavra podia existir. Na falta de sua existência, ela se cala. Teria sido uma palavra-ausência, uma palavra-buraco, escavada em seu centro para um buraco, para esse buraco onde todas as outras palavras teriam sido enterradas. Não seria possível pronunciá-la, mas seria possível fazê-la ressoar. Imensa, sem fim, um gongo vazio, teria retido os que queriam partir, os teria convencido do impossível,  os teria ensurdecido a qualquer outro vocábulo que não ele mesmo, de uma só vez os teria nomeado, o futuro e o instante. Faltando, essa palavra estraga todas as outras, contaminando-as, é também o cão morto da praia em pleno meio-dia, esse buraco de carne. Como foram encontradas as outras?

(Marguerite Duras in: O deslumbramento. Ed. Nova Fronteira, p. 85)

sábado, 5 de março de 2011

uma terra longínqua e sonhada

“Aqueles anos foram, sem a menor dúvida, os melhores da sua vida, anos de felicidade. Ao menos era o que ela dizia. Ela se lembrava deles como de uma terra longínqua e sonhada, como de uma ilha.”

(Marguerite Duras in: Barragem contra o Pacífico. Ed. ARX, p. 21)

sexta-feira, 4 de março de 2011

- Verdade. Você só me dava livros com a palavra “morte” no título


“- Você não voltará para Nova York? (Alvie)
- O que há em Nova York? É uma cidade morta. Você leu Morte em Veneza. (Annie)
- Você só leu Morte em Veneza quando eu comprei para você.
- Verdade. Você só me dava livros com a palavra “morte” no título.
- É um assunto importante.
- Você é incapaz de curtir a vida. Sabia?”

(Do filme: Annie Hall, Woody Allen)

E desviamos o olhar acanhadamente, mas já capturados, presos ao que estava por vir


Passamos um pelo outro no corredor do sexto andar. Olhamos um nos olhos do outro. E desviamos o olhar acanhadamente, mas já capturados, presos ao que estava por vir. Não sei se você olhou para trás depois que saímos do mesmo horizonte. Eu estava aflita para ver o seu caminhar de costas, mas fui tomada por um formigamento e só continuei andando porque meu corpo me levava, mas a verdade é que estava paralisada, tomada por este sentimento que, por mais que tente, não consigo nomear. Levou algum tempo para que nos encontrássemos de novo.”

(Tatiana Salem Levy in: A chave da casa. Ed. Record, p.24)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Dona Saudade tinha mania de persegui-lo. Sempre, quase sempre, em momentos ruins.

"A única coisa de que não tinha dúvida, era de que quando as pessoas que amava desapareciam, às vezes até por uma gigantesca horinha, ele encontrava Dona Saudade. Dona Saudade tinha mania de persegui-lo. Sempre, quase sempre, em momentos ruins. Ela roubava todo mundo e sentava no colo de Fernando, com aquele peso danado, para ele ter certeza de que ela estava ali, para ele sentir ainda mais sua presença. Dona saudade era enorme, feia, bruta e ladra. Ela irritava Fernando e machucava seu colo. (...) Tinha muita raiva daquela ladra de pessoas, que insistia em persegui-lo."

(Cláudia Pessoa in: Dona Saudade. Callis Editora)

quarta-feira, 2 de março de 2011

só se encontra a reivindicação hedonista entre os marginais, Sade, Fourier

"Tradição antiga, muito antiga: o hedonismo foi repelido por quase todas as filosofias; só se encontra a reivindicação hedonista entre os marginais, Sade, Fourier; para a próprio Nietzshe, o hedonismo é um pessimismo. O prazer é incessantemente enganado, reduzido, desinflado, em proveito de valores fortes, nobres: a Verdade, a Morte, o Progresso, a Luta, a Alegria etc. Seu rival vitorioso é o Desejo: falam-nos sem cessar do Desejo, nunca do Prazer; o Desejo teria uma dignidade epistêmica, o Prazer não. Dir-se-ia que a sociedade (a nossa) recusa (e acaba por ignorar) de tal modo a fruição, que só pode produzir epistemologias da Lei (e de sua contestação), mas jamais de sua ausência, ou melhor ainda: de sua nulidade. É curiosa essa permanência filosófica de Desejo (enquanto nunca é satisfeito): essa palavra não denotaria uma "ideia de classe"? (Presunção de prova bastante grosseira, e toda notável: o "popular" não conhece o Desejo - nada exceto prazeres.)"

(Roland Barthes in: O prazer do texto. Ed. Perspectiva, p. 67-68)

Coisa simples é lindo


“Tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco.”

(Caio Fernando Abreu)

Cultura é saber ver, perceber...


“A gente chega à conclusão de que cultura não é o que você lê, é como você vê. Alguém pode ter lido todos os livros do mundo e não ter cultura, e pode não ter lido nenhum e ter cultura. Cultura é saber ver, perceber, penetrar nas coisas.”

(Edla van Steen in: Viver & Escrever vol. 2. Depoimento de Plínio Marcos. Ed. L&M Pocket, p. 79)

terça-feira, 1 de março de 2011

Estupidez boa

“Amar é ser estúpidos juntos.” Paul Valéry

(Ruy Castro in: O amor de mau humor (edição e tradução) – Uma antologia de frases venenosas sobre a relação homem/mulher. Ed. Companhia das Letras)

Como uma doença

“Assim como a doença, a paixão requer um estado de espírito apropriado para se instalar.”

(Nancy Mitford in: Love in a cold climate)

felicidade inefável


"(...) era como uma felicidade inefável que nem o presente nem o futuro nos podem trazer e que não se desfruta mais que uma vez na vida".

(Marcel Proust in: Em busca do tempo perdido vol. 2 - À sombra das raparigas em flor.Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 356)