quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quando dei por mim, já estava aqui


"Você me empurra para a literatura. Não posso dizer que seja uma vocação; não houve escolha ou predisposição. Quando dei por mim, já estava aqui."

(Ribamar, José Castello, ed. Bertrand Brasil, p. 78)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Entrevista com Inês Pedrosa - parte 1


Lola: No seu novo livro, a amizade entre homens é descrita como mais leve que entre as mulheres. Nós não conseguimos manter relações assim com as outras?
Inês Pedrosa: Somos demasiado exigentes. Há um frescor e uma liberdade entre os homens que nós, mulheres, com a fúria de mostrar que somos capazes de tudo, perdemos. Os homens são mais tolerantes com o erro, a imperfeição e até com a traição do outro. Têm um companheirismo mais incondicional, passam por cima de coisas que nós, mulheres, dificilmente perdoamos. Temos memória de elefante.Os homens não se lembram dos pequenos detalhes, por isso sofrem menos.

(Entrevista escrita por Erika Sallum, publicada na revista Lola, janeiro de 2011, ano 1, número 4, Ed. Abril)

* A dica foi do Paulo Becare. Obrigada, Paulo.

partir, ficar - e a leveza?


“Se o retorno é o mais pesado dos fardos, então nossas vidas se contrapõem a ele em toda a sua esplêndida leveza. Mas será o peso de fato deplorável, e esplêndida a leveza?”

(A insustentável leveza do ser, Milan Kundera)

por uma boa digestão - Woody Allen


“- Dê-me um beijo (Alvie)
- É mesmo? (Annie)
- Por que não? Depois vamos para casa, haverá toda aquela tensão. Nunca nos beijamos. Eu não saberei quando dar o passo certo. Vamos nos beijar. Acabamos com isso e vamos comer. A comida digere melhor.
(Beijam-se)
- Certo? Agora podemos digerir a comida”.

(Do filme: Annie Hall, Woody Allen)

ilusório e fugaz


“O amor romântico é o amor da impossibilidade de completar sua falta. Ele é ilusório ou fugaz. Ou bem o amor não será correspondido – levando à tristeza, ao desespero ou mesmo a obsessão e morte -, ou bem o amor romântico é correspondido e passará a uma outra forma de amor, mais próximo à philia.”

(Amor, Maria de Lourdes Borges, Coleção Filosofia passo-a-passo, p. 15, Ed. Jorge Zahar)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Imperdível - 10/01 no Rio

o barulho que a palavra representa


“Elas esperam. Vestem-se para nada. Elas se cuidam. Na sombra dessas mansões, preparam-se para mais tarde, acreditando viver um romance, os guarda-roupas já atulhados de vestidos que não usam, colecionados com o tempo, a longa sequência dos dias de espera. Algumas enlouquecem. Outras são abandonadas, trocadas por uma jovem empregada, que guarda silêncio. Abandonadas. Ouvimos essa palavra atingi-las, o barulho que faz, o barulho da bofetada que ela representa. Algumas se matam.Esse desrespeito que as mulheres têm por si mesmas sempre me pareceu um erro.”

(O Amante, Marguerite Duras, p. 19)

se você não entendeu...


“- O que você está fazendo?
- Bem, se você não sabe, então devo estar fazendo errado”.

(Do filme: Nascida ontem)

sobre liberdade


“Um dia (...) alguém perguntou a Lacan: “e o senhor, o que pensa da liberdade?”? Era em Louvain... Ele foi embora...”

(Para introduzir à psicanálise nos dias de hoje, Charles Melman, p. 88, Ed. CMC)

domingo, 2 de janeiro de 2011

porque as coisas nunca são uma só coisa


"Mas não era só isso, porque as coisas nunca são uma só coisa e, à medida que escrevemos sobre elas, os caminhos se bifurcam, às vezes queremos seguir todos eles e uma escrita vai se tornando interminável, até que entregamos os pontos de pura exaustão."

(Conto: Uma carta. 50 contos e 3 novelas de Sérgio Sant´Anna, Ed. Companhia das Letras, p. 325)

Com o esforço de esperar (...) a carta que não vem


"Eu aprendi uma sensação nessa minha vida fora às vezes eu me sinto como se fosse receber carta. Naturalmente não há tempo para a carta ter vido. Mas não custa nada esperar... ."

(Carta de Clarice Lispector para Elisa e Tânia Lispector – Berna, 29/04/46. Extraído de: Minhas queridas – Clarice Lispector, org. Teresa Montero, Ed. Rocco, p. 113)

em movimento


"Não sabia exatamente aonde estava indo, só sabia que era necessário permanecer em movimento para evitar um desastre certo."

(Arlington Park, Rachel Eusk, Ed. Companhia das Letras, p. 206)

sábado, 1 de janeiro de 2011

chuva em dia de verão


“A alegria lhe subiu ao peito, encheu seu corpo de um frescor leve, algo como um banho de chuva num dia quente de verão.”

(A chave da casa, Tatiana Salem Levy, Ed. Record, p.88 )

formas de amar


“Segundo Sponville, há três formas de amor: o amor/eros, o amor/philia e o amor /caritas. O amor /eros é aquele tematizado no Banquete de Platão e que permeia igualmente o amor romântico. Esse tipo de amor é caracterizado pelo desejo carnal, mas o desejo do que falta. (...) o amor/eros é carência, sofrimento, obsessão da busca daquilo que completa. Não raro, Eros está ligado à morte. Assim o é nos relatos de Tristão e Isolda, Romeu e Julieta e Os sofrimentos do Jovem Werther. (...) Parafraseando Hegel, páginas felizes são páginas em branco na história do amor romântico”.

(Amor, Maria de Lourdes Borges, Coleção Filosofia passo-a-passo, p. 9, Ed. Jorge Zahar)

interpretamos nossos papéis


“Uma mulher sedenta de amor volta a ser a avó digna. Interpretamos nossos papéis. Alguns sem amor, outros, como eu, com muito afinco.”

(Do filme: Fanny e Alexander, direção do Bergman)