quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Volta, alma!


“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”.
(Rubem Alves)

Acredito


♫ Eu acredito nas besteiras que eu leio no jornal
Eu acredito no meu lado português sentimental
Eu acredito em paixão e moinhos lindos,
Mas a minha vida sempre brinca comigo,
De porre em porre vai me desmentindo ♫

(Medieval II, Cazuza)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Fever


'Despedir dá febre'.


(Guimarães. O Rosa.)

Conto de bolso


Luísa acaba de chegar ao hotel. Sobe sozinha – o marido vem depois.
No elevador, meio pensativa, esbarra na saída em um cara. Pede desculpas e entra no quarto.
1 minuto depois o telefone toca.
- Sim? – ela pergunta.
- Quem fala? - a voz.
- Luísa - responde.
- Eu só queria saber seu nome, eu te vi no elevador - a voz, reticente.
- Bom, então é melhor esquecer e não ligar mais que meu marido pode atender.
- Desculpe...

(Por Vanessa Souza)

Não, não. Sim, sim!


“Eu não sei dar pouco de mim”.
(Patrícia Alvim)

Algo que ilude


"Há no seu olhar
Algo que me ilude
Como o cintilar
Da bola de gude
Parece conter
As nuvens do céu
As ondas brancas do mar
Astro em miniatura
Micro-estrutura estelar

Há no seu olhar
Algo surpreendente
Como o viajar
Da estrela cadente
Sempre faz tremer
Sempre faz pensar
Nos abismos da ilusão
Quando, como e onde
Vai parar meu coração?"

(Seu olhar, Gilberto Gil)

Gente


A gente espera.
A gente continua.
A gente segue.
A gente faz o que dá - e o que não dá também.

(VS)

Fazendo igual a Paty Alvim e aproveitando meu próprio comentário no blog dela. Hahahaha.

É para você que eu escrevo, meu amigo


Andy Mendes disse:

"(...) parafraeando uma das minhas escritoras prediletas":

"És uma dessas pessoas raras que me fazem acreditar que a vida, sim, vale muito a pena!"
(Correspondências - Nessa Flor, natal de 2009)

Fotografia de Andy Mendes: Livraria Cultura, São Paulo, setembro de 2009. Uma das tardes mais incríveis da minha vida.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Se o seu blog tem musiquinha, não leia



Estou aqui estudando e vezenquando olhando blogs alheios. Isso tudo ao som delicioso do Damien Rice, cantando Cold Water. Eis que entro em um bloguinho bonito, que não é o meu, e uma música estrondosa, mais chata que trio elétrico, grita nos meus ouvidos. Posso enxergar as letras, e é tudo em CAIXA ALTA. Muito, muito chato. Eu me assusto, me desconcentro - e eu sou DDA + hiperativa, qualquer passarinho piando me tira o foco - e fecho rápido a página. Ufa! Acabou!
Uma grande tragédia.

Tudo isso para escrever que eu ODEIO DO FUNDO DAS MINHAS VÍSCERAS musiquinhas em blogs e sites afins. Não adianta ter o botão de desliga, que a concentração já era, e meu fundo musical pessoal já foi afetado. Eu não obrigo ninguém a ouvir Damien Rice.
É isso.

Italo Calvino - I



Acabei de ler hoje.

“(...) a matéria-prima do escrever não estará toda por acaso nesse ressurgir à superfície de grifos peludos, assanhamentos caninos, chifradas caprinas, violências interditas que bracejam nas trevas? Mas a coisa deve ser vista de duas maneiras: que este fervilhar demoníaco no interior das pessoas singulares e plurais, nas coisas feitas ou que se acredita fazer, e nas palavras ditas ou que se acredita dizer, seja de um modo de fazer ou de dizer que não está bem, e convém, portanto, engolir tudo de novo, ou em vez disso seja precisamente o que mais conta e visto que ali está seja aconselhável fazê-lo vir o furo...
(...) A palavra escrita acrescenta as paixões? Ou submete as forças da natureza? Ou se encontra em harmonia com a desumanidade do universo? Ou gera uma violência contida mas sempre pronta a arremessar-se, a dilacerar?”.
(Também tento contar a minha, O castelo dos destinos cruzados, Ítalo Calvino)

Italo Calvino - II













“(...) ruminando em silêncio as perguntas que certamente lhe teriam passado pela cabeça, como agora acontecia conosco: “Que cidade é essa? Será a Cidade de Tudo? A cidade em que todas as partes se conjugam, as escolhas se contrabalançam, onde se enche o vazio que existe sempre entre o que se espera da vida e aquilo que nos toca?”.
(...) o caminho das paixões, que é sempre uma via de fato, agressiva, de cortes nítidos, e o caminho da sabedoria, que requer reflexão e um lento aprendizado.
(...) Como explicar que para a sede que tem no corpo não lhe basta nem um poço nem outro?”
(História do indeciso, O castelo dos destinos cruzados, Ítalo Calvino)

Italo Calvino - III



“O bosque do amor não é lugar para ti, Rolando! Estás seguindo um inimigo cuja insígnia não há escudo que te possa proteger. Esquece-te de Angélica! Volta”.
(História de Rolando louco de amor, O castelo dos destinos cruzados, Ítalo Calvino)

Ouvi por aí - II


"(...) como diria a sabedoria popular, 'o capeta sabe pra quem ele aparece'".

Da moça desse blog aqui ó: http://blasfemeando.blogspot.com/

Satisfação X realização - do desejo


“Há, não raro, um equívoco entre satisfação do desejo e realização do desejo. O desejo não propicia uma satisfação plena. Só pela realização é que se pode reconhecer o desejo, já que ele é inconsciente. Freud afirmou, de forma geral, que o sonho é uma realização do desejo. Contudo, realização não implica em satisfação.

Kepler toma Freud para fazer-se entender a experiência da satisfação. O pai da psicanálise afirma que a única experiência de satisfação que não foi demandada, é no momento em que a mãe oferece o seio, sem que o bebê peça.

“Depois dessa primeira vez e daí em diante uma imagem mnemônica da percepção e reevocar a própria percepção, isto é, restabelecer a “situação da satisfação original. Um impulso dessa espécie é o que chamamos de desejo”, conclui Freud.
Portanto, o que caracteriza o desejo para Freud é esse impulso para reproduzir alucinatoriamente uma satisfação original, ou seja:
- um retorno a algo que já não é mais;
- um retorno a um objeto perdido cuja presença é marcada pela falta.
Sendo a presença de uma ausência é o que caracteriza o desejo, poderíamos definir o desejo como a nostalgia do objeto perdido". (KEPLER, 1994, p. 41-2)”.

(Fragmento de: O acontecer obscuro: cercando a histeria e a neurose obsessiva a partir do filme Esse Obscuro Objeto de Desejo, Vanessa Souza)

Então


“Me pega e leva porque eu te amo, andei fugindo mas estou aqui”.
(George Israel / Paula Toller)