quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Memórias


"A memória é indissociável à questão do tempo e da indiferença".
(Freud)

Geladeira vintage: eu quero uma!

Brochete

Bife a rolê

Blanquette de vitela

Ossobuco alla milanese

10 un. ossobuco
Qb sal e pimenta, farinha e óleo
250 ml vinho branco
150 g extrato de tomate
2 l molho espanhol

Gremulata
2 un. alho picado
1 col. (sopa) zest de limão
1 col. (sopa) salsa picada
5 un. alici

Tempere a carne com sal e pimenta, passe na farinha de trigo e bata para sair o excesso. Doure a carne na panela e retire.
Deglaceie a panela com o vinho e deixe reduzir um pouco.
Junte o extrato de tomate e salteie rapidamente. Junte o molho espanhol e a carne, tampe e cozinhe em fervura branda por cerca de 2 horas.
Retire a carne do fogo e mantenha aquecida.
Reduza o molho até a consistência adequada, corrija os temperos.
Misture todos os ingredientes da gremolata.
Sirva o ossobuco coberto com o molho e uma colher de gremolata sobre o tutano.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

?


Mudanças

Eu nascia na surpresa, agora, na previsão;
Eu não saia de casa, agora vou para a creche;
Eu namorava alguém, agora vou ficando;
Eu decorava tudo, agora uso o Google;
Eu jantava na hora da família, agora, do microondas;
Eu fazia passeata, agora, nem serenata;
Eu escolhia uma faculdade, agora estudo em várias;
Eu queria ser doutor, agora, inventor;
Eu saía de casa cedo, agora sou canguru;
Eu casava lá pelos vinte, agora, quase aos quarenta;
Eu jamais me separava, agora só divorcio;
Eu me aposentava aos cinqüenta, agora mudo de profissão;
Eu morria aos setenta, agora tenho morte lenta.
E se alguém me perguntar o que eu vou fazer agora, antes
por favor me responda: - Afinal, que raios é a globalização?

Jorge Forbes, 9 de agosto de 2009

Imagem: Pára, Mauro Piva

sábado, 12 de setembro de 2009

Sobre anjos


Era agosto
e parecia ser setembro.
Era agosto.

À maneira
de quem lê poesia
acariciando cicatrizes.

À maneira
de quem lê um livro
iluminando capítulos
entrelinhas enredos.

Li o anjo.

(Fragmento de Pequeno oratório de poeta para um anjo, da mais do que querida Neide Archanjo)

Imagem: Angel heads, Joshua Reynolds.

Sem entendimento


"É como tirar os rollers depois de andar um bocado e sentir que os pés e o chão não se entendem mais".

(Sinuca debaixo d'água, Carol Bensimon)

Imagem: George Segal

Todo sábado ela faz igual - lê o José Castello

"(...) Quando lê um primeiro romance, mais do que nunca, faltam ao crítico os antecedentes com que possa confrontar e medir o que lê. Resta-lhe a mão vazia. Ele trabalha muito mais com a cegueira do que com a visibilidade.
(...) Recentemente, em um debate literário, uma senhora da plateia - depois de se desculpar, como se fizesse uma observação quase obscena - me perguntou se não acho que minha posição diante da literatura é "feminina".
Existem muitas superstições a respeito da suposta "passividade" das mulheres. Basta ler escritoras como Clarice Lispector, Virginia Woolf e Florbela Espanca, poém, para entender o quanto o feminino é, também, feroz e contundente.
(...) A estreia é sempre um assalto ao passado. Todo escritor nasce de outros e escreve com as mãos sujas de sangue".

(O crítico aprendiz, José Castello, caderno Prosa & Verso, jornal O Globo, 12/09/09, p.4)

Crédito da imagem: Anderson Mendes.

Ainda sobre o desejo


"No inconsciente o tempo não existe; o sujeito fica suspenso no presente eterno de seus desejos".

(Dispa-me, Catherine Joubert e Sarah Stern)

Seremos?


"Seremos mesmo os autores de nossas paixões? Quando a força do desejo se impõe, seremos, de fato, donos de nós mesmos?"

(José Castello, A palavra é um ônibus, O Globo, Caderno Prosa & Verso, 26/02/09, p. 4)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

?!


"O que muda na mudança,
se tudo em volta é uma dança
no trajeto da esperança,
junto ao que nunca se alcança?"

(Carlos Drummond de Andrade)

Entre...


"Entre o sono e o sonho
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim".

(Fernando Pessoa em Cancioneiro)

Sobre o desejo


“O desejo ignora a troca, ele só conhece o roubo e o dom.”

(Gilles Deleuze)