sábado, 30 de abril de 2016

do grito

Parágrafo de abertura do romance “Grito” (Ed. Record), do escritor Godofredo de Oliveira Neto.

Ele diz se tratar do grito que sua irmã gêmea não conseguiu dar no nascimento. Nasceu morta. Se chamaria Ifigênia de Sá Sintra. E isso liberta ele. Depois virou um costume; e a cada situação profissional nova Fausto solta o grito engasgado na garganta da gêmea. Meio tétrico eu também sempre achei, mas tudo bem, ele agora ri às gargalhadas. É grito de alegria. Um grito diferente. Parece mais um choro misturado com risada alta. Dá para sentir que o choro foi aos poucos perdendo espaço para o riso, e apenas no comecinho, e só para aqueles que o conhecem de perto, detecta-se o pranto.

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