sexta-feira, 31 de maio de 2013

do autor



"Os textos, os livros, os discursos começaram efetivamente a ter autores (outros que não personagens míticas ou figuras sacralizadas e sacralizantes) na medida em que o autor se tornou passível de ser punido, isto é, na medida em que os discursos se tornaram transgressores."

(Michel Focault in: O que é um autor? Ed. Vega, p. 39)

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

um enviado dos céus, ordenado por anjos



A escritora Luciana Hidalgo, autora dos livros "O passeador" e "Arthur Bispo do Rosário", publicados pela Rocco, irá palestrar sobre Autoficção na Uerj hoje, às 18h - bloco F, sala 11.111-D.

Participa da conferência o professor e escritor Gustavo Bernardo, cujo livro "Conversas com um professor de literatura" acaba de ser lançado pela Rocco.

"Ao se dizer um enviado dos céus, ordenado por anjos, Bispo apagou pegadas no mundo dos humanos e transformou a fronteira entre realidade e fantasia numa ilha sem importância. A mim, restou o equilíbrio instável entre os mundos. E a ideia, cada vez mais concreta, de que escrevia uma quase biografia, onde a verdade podia ser traiçoeira e o chamado delírio, por vezes tão real."

(Luciana Hidalgo in: Arthur Bispo do Rosário: o senhor do labirinto. Ed. Rocco, p. 5)

Imagem: Edward Burne Roger Jones

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terça-feira, 28 de maio de 2013

sonho, realidade



"Mas nunca se sabe no instante presente se a realidade é sonho ou se o sonho é realidade..."

(Milan Kundera in: A vida está em outro lugar. Ed. Círculo do Livro, p. 218)

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

e como as informações que ela nos dá sobre o passado não conservam nada deste



"Mas como o que eu então recordasse me seria fornecido unicamente pela memória voluntária, a memória da inteligência, e como as informações que ela nos dá sobre o passado não conservam nada deste, nunca me teria lembrado de pensar no restante de Combray. Na verdade, tudo isso estava morto para mim."

(Proust in: No Caminho de Swann. Tradução de Mario Quintana, ed. Globo, p. 48)

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

O abismo sempre clama a ser pisado



Marcelo Backes in: O último minuto. Companhia das Letras, p. 119.

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

a obra literária por um efeito



"Tomar a obra literária por um efeito em lugar de tratá-la como origem absoluta, considerá-la como o reflexo, o resultado, o traço do autor equivale a considerá-la uma ruína, um resto, um resíduo, como nascida de um fracasso."

(Jean Bellemin-Nöel in: Psicanálise e literatura. São Paulo, Cultrix, 1983, p. 78)

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terça-feira, 21 de maio de 2013

ou transformá-la em literatura



"Alguns encontros com tais pobres criaturas exauridas, arrastadas a esse extremo por necessidade físicas, são interessantes e até comoventes. Contudo, como perdi qualquer interesse em classificar minhas emoções, para mim elas existem como silhuetas planas projetadas sobre uma tela. "Há apenas três coisas que podem ser feitas com uma mulher", afirmou Clea certa vez. "Você pode amá-la, sofrer por ela ou transformá-la em literatura." Eu fracassava em todas essas categorias de sentimento."

(Lawrence Durrel in: O Quarteto de Alexandria - Justine. Ed. Ediouro, p. 22)

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Do que se sabe





(Philip Roth in: A marca humana. Companhia das Letras, p. 266)

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Remova a poesia do que ela falou



"Também gostei do que você falou sobre as fotografias, Lavínia acrescentou. Vi que você não era um cara comum.
Ela me achou raro, a começar pelo nome. (...) Perguntei por que me escolhera.
Gostei do jeito que você me olhou, disse. Parecia que estava pedindo desculpas por me achar tão bonita.
Remova a poesia do que ela falou: eu a olhei na loja de Chang com uma fome que nunca senti por nenhuma outra mulher. Um episódio inaugural. E também fui olhado de uma maneira que ainda não tinha conhecido antes. Conhecê-la fez do passado um mero ensaio, um treino..."

(Marçal Aquino in: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Ed. Companhia Das Letras)

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

ouro como oposto de prata



"Eu nunca havia pensado em Anya nem como dura nem como mole. Se pensava nela em termos materiais, era como doce: doce oposto de salgado, ouro como oposto de prata, terra como oposto de ar. Mas agora, de repente, ela se tornava bastante pétrea, bastante dura. De seus olhos saía um raio de pura raiva fria. Não me venha dizer o que sinto!, ela ciciou."

(J.M. Coetzee in: Diário de um ano ruim. Companhia das Letras, p. 127-128)

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

da leitura



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sábado, 11 de maio de 2013

função da arte



“A arte tem como função primordial introduzir e até mergulhar o homem na cultura, oferecendo outra visão do mundo ou outro sentido para certos acontecimentos.”

(WILLEMART, Philippe. Os processos de criação na escritura, na arte e na psicanálise. São Paulo: Perspectiva, 2009, p.153-154)

Imagem: John Constable

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sexta-feira, 10 de maio de 2013

a realidade literária, precisa de vários seres para um só sentimento



"E, mais do que o pintor, a quem é necessário ver muitas igrejas para pintar uma, o escritor, se quiser alcançar o volume, a consistência, a generalidade, a realidade literária, precisa de vários seres para um só sentimento, porque se a arte é longa e breve a vida, pode-se também dizer, ao contrário, que, se é curta a inspiração, muito mais longos não são os sentimentos a exprimir. São nossas paixões que esboçam os livros, os intervalos de trégua que os escrevem."


(Proust in: O tempo redescoberto. Tradução de Lúcia Miguel Pereira. Ed. Globo, p. 181)

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quinta-feira, 9 de maio de 2013

um país que havia aportado por acaso



"E começou então um período que, quando depois pensava nele, parecia um país que havia aportado por acaso, que nem sabia que existia, um lugar de encantamento, uma paisagem como de sonho, com sua própria atmosfera própria, forte, com uma língua que se conhece apenas em parte ou que foi esquecida."

(Doris Lessing in: Amor, de novo. Companhia das Letras, p. 61)

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

aceitar as coisas como elas são



"Eu não tive nada a não ser uma predisposição feroz para aceitar as coisas como elas são e ir tocando para frente."

(Carta de Fernando Sabino. Fernando Sabino e Clarice Lispector in: Cartas perto do coração. Ed. Record, p. 109)

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

e...



"(...) tão rica em promessas e tão fértil em decepções."


(Lawrence Durrel in: O príncipe das trevas ou Monsieur. O quinteto de Avignon I. Ed. Estação Liberdade, p. 204-205)

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

essa coisa, emoções



Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, sim como você sabe, a gente, as pessoas, infelizmente têm, temos, essa coisa, emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não desviar-te demasiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis-não-formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem, e sobretudo emoções. Que nem se mostram.

(Caio F. in: Os dragões não conhecem o paraíso)

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sempre Proust



Proust in: Sodoma e Gomorra. Tradução de Mario Quintana. Ed. Globo, p. 376.

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

E era



"(...) e tudo que eu andava eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era".

(Caio F. in: Morangos mofados)

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